A GLACIAÇÃO NEOPALEOZÓICA NA PORÇÃO MERIDIONAL DA BACIA SANFRANCISCANA

JOSÉ E.G. CAMPOS, MARCEL A. DARDENNE

Resumo


Este artigo representa um trabalho estratigráfico e ambiental em duas áreas do noroeste do Estado de Minas Gerais (Canabrava e Santa Fé de Minas). O trabalho possibilitou a identificação da até então desconhecida Glaciação Permo-Carbonífera na Bacia Sanfranciscana. Uma subdivisão é proposta para os estratos glaciais - Grupo Santa Fé - o qual é composto pelas Formações Floresta e Tabuleiro. A Formação Floresta é basal e constituída por três membros: Brocotó (tilitos e tilóides), Brejo do Arroz (siltitos e folhelhos vermelhos com grande variedade de seixos pingados) e Lavado (arenitos vermelhos). A Formação Tabuleiro (arenitos homogê- neos) sobrepõe todos os membros da Formação Floresta. Os arcóseos e siltitos da Formação Três Marias do Proterozóico Superior representam o embasamento regional da glaciação. O Grupo Santa Fé é um sistema proglacial com fácies de tilito e tilóide (Membro Brocotó), fácies flúvio-glacial (Membro Lavado), fácies gláciolacustre e turbidítica (Membro Brejo do Arroz) e fácies periglacial eólica (Formação Tabuleiro). A sedimentação glacial foi controlada por avanços e recuos da capa de gelo. As reações diagenéticas não são bem desenvolvidas, por causa da incipiente história de soterramento da bacia. A principal feição diagenética foi a cimentação carbonática penetrativa. As áreas de proveniência para os depósitos glaciais são interpretadas a partir da análise dos minerais pesados, pavimentos estriados e composição dos clastos caídos. A região do Espinhaço Setentrional é proposta como área fonte.

Palavras-chave


Glaciação neopaleozóica; Bacia Sanfranciscana; Estado de Minas Gerais.

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