ENXAMES DE DIQUES MÁFICOS DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO E ESPINHAÇO MERIDIONAL, MINAS GERAIS, BRASIL

ADALENE MOREIRA SILVA, FARID CHEMALE JR, RAUL MINAS KUYUMJIAN, LARRY HEAMAN

Resumo


Enxames de diques máficos são abundantes no Quadrilátero Ferrífero Quadrilátero Ferrífero e Espinhaço Meridional, sudeste de Minas Gerais. Três eventos de magmatismo básico ocorrem nestas regiões, cada qual com feições estruturais, petrográficas, geoquímicas e geocronológicas próprias. O enxame mais antigo tem idade de 1,7-1,5 Ga (U/Pbbadeleíta -Ibirité Gabbro e K-ArRT -xistos) e ocorre como sills e diques de direção NS, deformados e metamorfisados, ou como diques não deformados com a textura ignea preservada. Os deformados são clorita-sericita-quartzo-plagioclásio xistos, enquanto os indeformados são gabros com plagioclásio (An56), augita, ilmenita, quartzo e traços de badeleita. Esses diques mostram um enriquecimento em ETRL [(La/Sm)N = 3,68 -6,39] e um empobrecimento ou leve enriquecimento em ETRP [(Dy/Yb)N = 0,82 - 1,29]. Estes corpos são relacionados com a abertura da bacia Espinhaço. Diques NW e NE e idade U/Pb em torno de 906 Ma, possuem largura variável, estão deformados e possuem textura ignea parcialmente preservada, exceto em zonas de baixa deformação, onde apenas as bordas estão foliadas. São metagabros com plagioclásio (An52,5), augita, ilmenita e traços de apatita e quartzo, muitas vezes transformados em um agregado de tremolita-actinolita ou hornblenda e zoisita/clinozoisita. Amostras destes diques mostram um enriquecimento em ETRL e ETRP ((La/Sm)N = 1,34 a 2,2 e (Dy/Yb)N) = 1,36 a 138). Os dados Sm/Nd apontam valores de ENCJ = + l ,34 e -3,20 e idades modelos (TDM) = 2,59 e l ,35 Ga. Estes corpos são relacionados aos primeiros estágios do evento Panafricano/Brasiliano. Os diques mais jovens possuem idade aproximada de 120 Ma, possuem direções variáveis, estão indeformados e consistem de diabásios com plagioclásio (An60,05), augita e magnetita. Esters diques mostram enriquecimento em ETRL e pequeno em ETRP ((La/Sm)N = 2,53 e (Dy/Yb)N = 1,47)) e se relacionam à fragmentação do Supercontinente Gondwana. Os diques máficos de ambas regiões possuem caráter toleitico, com proeminente enriquecimento em ferro, representam volumosas fusões mantélicas que marcam o inicio de amplos regimes distensivos. As suas características químicas sugerem uma afinidade com basaltos intraplaca continental. Variações significativas no comportamento de elementos traço incompatíveis e parcialmente compatíveis dentro e entre os enxames são interpretadas como uma combinação de processos magmáticos, evolução a partir de fonte mantélica heterogênea e contaminação crustal.

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