O contexto geotectônico e a morfogênese da Província Serrana de Mato Grosso

Jurandyr Luciano Sanches Ross

Resumo


A área serrana que serve de divisor de águas entre as bacias dos rios Cuiabá e Paraguai, participantes da bacia hidrográfica do Paraná, e dos rios Arinos e Teles Pires, pertencentes à bacia hidrográfica do Amazonas, caracteriza-se por extenso terreno (aproximadamente 400km de extensão e 40km de largura) de relevos residuais, remanescentes de fases erosivas do Pré Cretáceo e do Cenozóico. Estes relevos serranos resultaram inicialmente da atividade orogenética que se processou no Pré-Cambriano Superior, a partir de bacia geossinclinal e da geração dos cinturões orogenéticos do Ciclo Brasiliano. Deste processo, resultou o Geossinclíneo Paraguai-Araguaia de grande extensão. As serras residuais, sustentadas por arenitos e secundariamente por calcários, fazem parte deste extenso geossinclíneo. Os dobramentos, associados a falhamentos transcorrentes e inversos, seguidos de fases erosivas diversas, são os responsáveis pela esculturação dos relevos em estruturas dobradas mais preservadas do Brasil. Formas em cristas assimétricas de bordas de anticlinais interiormente erodidas, de sinclinais alçadas ou ainda vertentes abruptas de dorsos de anticlinais de topos aplainados, dispostos em paralelo a vales sinclinais, depressões anticlinais fechadas, vales superimpostos, gargantas epigênicas, topos retilinizados em diferentes níveis altimétricos, bem como ocorrência de amplas depressões circundantes são fatos de grande presença neste tipo de modelado. A gênese, portanto, destes relevos encontra explicação não só na tectônica antiga que gerou o cinturão orogênico mas também na tectônica cenozóica que o colocou novamente em evidência com o soerguimento epirogenético da Plataforma Sul-americana e os processos erosivos que se sucederam principalmente ao longo do Cenozóico Superior

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DOI: http://dx.doi.org/10.5935/0100-929X.19910002

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