Insolação, radiação solar global e radiação líquida no Brasil

Frederico Luiz Funari, José Roberto Tarifa

Resumo


O presente trabalho teve como objetivo caracterizar a distribuição espacial e temporal da insolação, radiação solar global e radiação líquida no Brasil, bem como o potencial regional do país em relação a esses elementos climáticos. Mapas mensais e anuais, gerados a partir de dados medidos e estimados de 204 estações meteorológicas distribuídas por todo o território brasileiro, bem como diagramas temporo-espaciais, derivados de transectos escolhidos nas direções sul-norte e oeste- -leste, permitiram representar as tendências das variações dos elementos climáticos estudados e sua relação com atributos regionais. Na elaboração dos mapas foram considerados aspectos geográficos (vegetação, hidrografia, orografia e geomorfologia) e climáticos (nebulosidade e chuva). Na ausência de dados de radiação solar global medidos, empregou-se a equação de ANGSTRÖM de 1924, que utiliza dados de insolação. A estimativa do balanço de radiação (radiação líquida) foi realizada a partir da fórmula estabelecida por LINACRE de 1967. Na região norte, a insolação é menor nas áreas com maiores totais de precipitação, como a foz do Rio Amazonas e o estado do Amapá. A radiação solar global apresenta valores altos e pouca variação, devido à transmissividade elevada da atmosfera. Em virtude da uniformidade do relevo e albedo, a radiação líquida apresenta também valores elevados. No Nordeste, os valores elevados de insolação são explicados pela baixa nebulosidade, principalmente no sertão. Os máximos de radiação líquida ocorrem no litoral. Na região centro-oeste, nas áreas onde ocorre maior quantidade de precipitação, os valores de insolação são baixos. A radiação global e radiação líquida apresentam quantidades semelhantes àquelas da região norte. No sudeste brasileiro, a distribuição da insolação é condicionada aos fatores relevo, nebulosidade e precipitação. A radiação global e a radiação líquida distribuem-se mais irregularmente devido também à nebulosidade, como é o caso da bacia do Rio Doce, onde os valores são mais baixos. Para a radiação líquida também deve ser considerado o albedo, que varia conforme o uso da terra. Na região sul, todos os elementos sofrem o efeito orográfico, que produz um gradiente no sentido do litoral para o interior. A partir da distribuição espacial da insolação, radiação global e radiação líquida pode-se verificar a potencialidade do Brasil quanto à energia solar, nos aspectos qualitativo, quantitativo e consuntivo. Esta pesquisa pode servir de subsídio para o planejamento agrícola, no que diz respeito ao estabelecimento do zoneamento agroclimático e previsão de safras, e para o planejamento urbano, na melhor adequação do balanço de radiação, levando em consideração a ordenação do crescimento vertical e incremento de áreas verdes.


Palavras-chave


Insolação; Radiação Solar Global; Radiação Líquida; Brasil



DOI: http://dx.doi.org/10.5935/0100-929X.20170009

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