EVIDÊNCIA DE VIDA GREGÁRIA EM PALEOTOCAS ATRIBUÍDAS A MYLODONTIDAE (PREGUIÇAS-GIGANTES)

FRANCISCO SEKIGUCHI BUCHMANN, HEINRICH THEODOR FRANK, VITOR MOREIRA SANDIM FERREIRA, ERICK ANTAL CRUZ

Resumo


Este estudo apresenta evidências de vida gregária em paleotocas atribuídas às preguiças-gigantes. As paleotocas são estruturas biogênicas na forma de galerias e salões escavados por mamíferos gigantes extintos que viveram no Plioceno e Pleistoceno. Foram escavadas em rochas compostas por metadiamictitos hematíticos neoproterozoicos do Grupo Macaúbas (Formação Nova Aurora). As rochas de origem glacial sofreram metamorfismo, são fortemente cimentadas por hematita, e apresentam elevada dureza. No norte de Minas Gerais foram identificadas novas paleotocas distribuídas de forma agrupada, em vales de encostas íngremes encaixados em falhas. Em cada agrupamento as paleotocas estão dispostas nos dois lados dos vales, umas em frente às outras. Nas paredes e no teto das paleotocas há centenas de marcas de garras, formando marcas duplas paralelas e marcas entrelaçadas. Moldes em silicone das marcas foram comparados com ossos das mãos de Valgipes sp. (Mylodontidae) depositados na coleção da PUC-MG; o tamanho e morfologia das marcas duplas permitem atribuir estas paleotocas a milodontídeos cavadores (preguiças-gigantes de dois dedos). Nas paleotocas foram identificadas diversas superfícies polidas de formato elíptico, com cerca de 2,4 m de diâmetro, atribuídas ao desgaste da rocha devido ao atrito da pelagem das preguiças-gigantes em seu local de repouso. Em uma mesma paleotoca podem ter 1 a 3 superfícies polidas elípticas, sugerindo que as preguiças-gigantes tinham hábito gregário, dormindo juntas.

Palavras-chave


Megafauna; Quaternário; Minas Gerais; Icnofósseis.

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.4072/rbp.2016.2.09

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


SCImago Journal & Country RankSalvarSalvarSalvarSalvarSalvarSalvarSalvarSalvarSalvarSalvarSalvar