CARACTERIZAÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA PARTICULADA DOS ÚLTIMOS 10 MIL ANOS A PARTIR DE UM TESTEMUNHO DO PARQUE ESTADUAL DO RIO DOCE, MG, BRASIL: IMPLICAÇÕES PALEOAMBIENTAIS

FERNANDA MARA FONSECA-SILVA, MARCELO DE ARAUJO CARVALHO, SÉRVIO PONTES RIBEIRO

Resumo


Este trabalho apresenta a caracterização da matéria orgânica particulada de um testemunho de sondagem de 90 cm (Lc2-01), em um lago assoreado, localizado no Parque Estadual do Rio Doce, MG, Brasil. A análise de palinofácies foi realizada em 17 amostras, datado na profundidade de 80 cm em 10.191 cal. anos AP, 65 cm em 9.640 cal. anos AP, 35 cm em 7.905 cal. anos AP e 10 cm 102 cal. anos AP. O Lc2-01 apresenta uma granodecrescência para o topo, sustentando a ideia de que o processo deposicional no lago envolveu baixa energia. Com base na análise qualitativa da MOP foi possível identificar três associações de palinofácies distintas. A palinofácies 1 (Pf1) é composta basicamente de cutículas, a Palinofácies 2 (Pf2) composta de fitoclastos opacos e não opacos representando os componentes lenhosos e a Palinofácies 3 (Pf3) composta por matéria orgânica amorfa e palinomorfos. A distribuição estratigráfica das associações das palinofácies permitiu dividir a seção estudada em três fases. A Fase 1 (10.375-9.351 cal. anos AP) possui o predomínio da Pf2, sugerindo um ambiente de maior energia, interpretado como flúvio-lacustre, pois até 9.351 cal. anos AP a região não tinha sofrido com o fechamento do leito do rio Doce. Na fase 2 (9.351-7.905 cal. anos AP) observou-se o contínuo aumento na Pf 2 e uma severa elevação da Pf1, apontando o início do fechamento dos vales do antigo leito do rio Doce. A Fase 3 (7.905-102 cal. anos AP) é caracterizada por um abrupto aumento da Pf3, sugerindo condições mais redutoras compatíveis com lâmina d’água de pouca profundidade, interpretada como um ambiente lacustre ou paludal.

Palavras-chave


Palinofácies; Holoceno; Parque Estadual do Rio Doce; Brasil.

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DOI: http://dx.doi.org/10.4072/rbp.2015.1.11

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