EVOLUÇÃO GEOLÓGICA DA PORÇÃO MERIDIONAL DA PROVÍNCIA BAUXITÍFERA DE PARAGOMINAS DURANTE O NEÓGENO/PLEISTOCENO (NOROESTE DA BACIA DO GRAJAÚ, NORDESTE DO PARÁ E EXTREMO OESTE DO MARANHÃO)

BASILE KOTSCHOUBEY, WERNER TRUCKENBRODT, J. M.C. CALAF

Resumo


O quadro geológico supérgeno da porção meridional da Província Bauxitífera de Paragominas, situada na parte noroeste da Bacia do Grajaú, consiste em duas seqüências sedimentares-lateríticas. A seqüência mais antiga é constituída por depósitos siliciclásticos cretáceos do Grupo Itapecuru, um manto laterítico/bauxítico, que sustenta a Superfície Sul-Americana do Paleógeno, e um capeamento argiloso, a Argila de Belterra, cujo topo é marcado por uma superfície plana regional. A seqüência mais jovem repousa em inconformidade sobre os depósitos Itapecuru nas áreas rebaixadas que separam os platôs lateríticos/bauxíticos. Esta seqüência é constituída, na base, por um arenito argiloso avermelhado, mal selecionado e friável, de até 30 m de espessura, que contém pequenos fragmentos dispersos de laterita ferruginosa e seixos de quartzo, além de linhas de pedras. Normalmente maciço, o arenito exibe localmente uma estratificação incipiente. Uma couraça ferruginosa de até 3 m de espessura repousa, em contato brusco, sobre o arenito argiloso, sustentando a Superfície Velhas tardia do Neomioceno. De acordo com o seu grau de degradação, a couraça exibe uma estrutura colunar, em blocos ou nódulos, ou uma fácies pisolítica, enquanto uma camada de pedras ferruginosa representa o estágio mais avançado do processo. Acumulações restritas de blocos de laterita, fragmentos de sedimentos pelíticos e seixos de quartzo fortemente subordinados correspondem a depósitos coluviais provenientes do desmantelamento da cobertura residual mais antiga. Sobre a couraça ferruginosa repousa um pacote argilo-arenoso, homogêneo, amarelado, de até 5 m de espessura, contendo diminutos fragmentos lateríticos. A superfície que marca o topo deste capeamento é fortemente dissecada e apresenta na região um desnível de 60 a 80 m em relação à superfície sustentada pela Argila de Belterra. O arenito da base da seqüência representa um depósito continental originado por sucessivos fluxos de detritos, cronocorrelato com as Formações Pirabas e Barreiras do final do Oligoceno ao Mesomioceno. A couraça ferruginosa, interpretada como laterita de lençol, ter-se-ia formado durante o Neomioceno, enquanto o capeamento argiloarenoso, comparável aos sedimentos continentais Pós-Barreiras descritos mais a norte, na Plataforma Bragantina, seria do Plioceno.


Palavras-chave


Laterita; Fluxos de detritos; Neógeno; Bacia do Grajaú; Província bauxitífera de Paragominas; Superfície velhas tardia.

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