ASPECTOS GEOLÓGICOS, PETROGRÁFICOS E GEOQUÍMICOS DOS MÁRMORES DOLOMÍTICOS COM NÓDULOS DE QUARTZO DA SEQUÊNCIA METAVULCANO-SEDIMENTAR DE ACARAPE-CE

PAULO FERNANDO MOREIRA TORRES, CLÓVIS VAZ PARENTE, ALCIDES NÓBREGA SIAL, ELTON LUÍS DANTAS, REINHARDT A. FUCK, CÉSAR ULISSES VIEIRA, MICHEL HENRI ARTHAUD

Resumo


A sequência metavulcano-sedimentar de Acarape, CE, é composta por rochas metassedimentares terrígenas neoproterozóicas, contendo intercalações de mármores, rochas calcissilicáticas e rochas metabásicas e intermediárias de natureza alcalina. O conjunto é deformado e metamorfisado em fácies anfibolito. Os mármores são lenticulares, descontínuos e estendem-se por mais de 50km. Em algumas pedreiras apresentam concentrações de quartzo ao longo dos planos de estratificação. Quartzo ocorre em diferentes formas:  i- em estruturas nodulares subesféricas;  ii- em camadas de espessura centimétrica e comprimento métrico;  e, iii – em estruturas dobradas. Moldes e inclusões losangulares e/ou monoclínicas de sulfatos, pseudomorfoseados ou não por dolomita, em cristais de quartzo são comuns, sugerindo que a sílica é de origem diagenética e que resultou de preenchimento de vazios gerados pela dissolução de sulfato em ambiente marinho plataformal raso, sujeito a evaporação. É provável que o sulfato tenha se depositado sobre lama carbonática silicosa. Mudanças geoquímicas no ambiente de sedimentação, marcadas por variações no pH, provocaram sua dissolução e a precipitação de quartzo, o qual foi, posteriormente, deformado. Os mármores apresentam composição calcítica-dolomítica a dolomítica, com discretas variações no campo das rochas calcissilicáticas, refletidas nos diagramas de elementos maiores CaO – MgO – SiO2. Parte das amostras que plotam no campo das rochas calcissilicáticas corresponde a mármores silicosos empobrecidos em Al2O3 (<1%) , Na2O (< 0.1%) e K2O (<0,04%). Os elementos terras raras mostram curva irregular com modesto enriquecimento de terras raras leves em relação a pesadas e com anomalia fortemente positiva de Ce e ligeiramente positiva de Eu. Os valores de δ13C dos mármores são relativamente homogêneos, oscilando entre +1,7 e -0,1‰, com uma amostra exibindo valor, excepcionalmente, baixo ( –7,6‰ ). Os valores de δ18OSMOW mostram intervalo de variação entre +18,3 e + 25‰, excepcionalmente, + 27,2‰. A amostra que apresenta forte variação isotópica (δ13C –7,6‰ e δ18OSMOW -+27,2‰) localiza-se próxima a uma zona de carstificação recente, sujeita a modificações intempéricas. Os valores de δ13C das amostras melhor preservadas indicam flutuações de δ13C compatível com a curva de variação dos carbonatos depositados no início do Neoproterozóico.

Palavras-chave


Seqüência Acarape - CE; Elementos terras raras; Mármores dolomíticos; Carbonatos neoproterozóicos; Isótopos de 13C e 18O.

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