Deformação neógena e suas implicações na estruturação dos campos de petróleo na região de Icapuí-Ponta Grossa (CE), Bacia Potiguar emersa

Debora do Carmo Sousa, Emanuel Ferraz Jardim de Sá, Alex Francisco Antunes

Resumo


Em falésias costeiras no extremo oeste da Bacia Potiguar (Plataforma de Aracati), a Formação Barreiras, de idade miocênica, exibe estruturas que caracterizam uma deformação de expressiva magnitude. O levantamento em detalhe da geometria das falhas e dobras que afetam a Formação Barreiras conduziu ao reconhecimento de estruturas distensionais (na localidade Ponta Grossa) e oblíquas contracionais (localidade Vila Nova, próxima a Icapuí), associadas a um sistema de transcorrências com direções NE (nestas localidades) e NW (Falha de Afonso Bezerra, na porção central da bacia). Os dados obtidos permitem caracterizar um campo de tensões de idade neógena, que gerou falhas, dobras e estruturas hidroplásticas, incluindo trama SL e zonas de cisalhamento, e reativou estruturas mais antigas, presentes na seção sedimentar neocretácea, subjacente. A reinterpretação de seções sísmicas desta região e outros dados geológicos em várias localidades da Bacia Potiguar, permitiram delinear estruturas correlatas (em estilo e regime cinemático) afetando as rochas siliciclásticas da Formação Açu e carbonáticas da Formação Jandaíra, bem como basaltos da Formação Macau, cuja idade situa-se no limite Oligoceno-Mioceno. O reconhecimento desse arcabouço estrutural demanda compatibilizar a deformação em superfície com aquela observada nas seções sísmicas, que inclui pulsos/eventos cuja idade pode ser mais antiga (intervalo Neocretáceo a Paleógeno). Este modelo traz implicações importantes para a estruturação (geometria, cinemática, idade de trapas) dos reservatórios de petróleo (especialmente os arenitos da Formação Açu, no Campo de Fazenda Belém) e dos processos de migração e armadilhamento de hidrocarbonetos neste setor da Bacia Potiguar.

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