Avaliação e caracterização de reservatórios laminados: comparação entre as ferramentas convencionais e o perfil de indução multicomponente

Margareth da Silva Brasil Guimarães, Paulo Sergio Denicol, Ricardo Manhães Ribeiro Gomes

Resumo


Algumas das reservas de hidrocarbonetos no Brasil estão contidas em formações interlaminadas presentes nos turbiditos da bacia de Campos. Comumente, nessas sequências, as camadas laminadas são tão delgadas que as ferramentas de indução convencionais não têm resolução vertical suficiente para resolvê-las individualmente. Normalmente, essas sequências exibem anisotropia de resistividade, ou seja, a resistividade horizontal, paralela ao acamamento, é usualmente menor do que a resistividade vertical, perpendicular ao acamamento. Em particular, isto é verdade quando a areia é portadora de hidrocarbonetos, uma vez que a resistividade é substancialmente afetada pela presença de folhelhos condutores. Ou seja, não considerar a anisotropia pode levar a uma subestimação dos volumes de óleo presentes no reservatório. A ferramenta de indução multicomponente foi desenvolvida para detectar a anisotropia de resistividade em uma formação interlaminada. Ela consiste em três conjuntos de transmissores/receptores mutuamente ortogonais cuja configuração permite a aquisição das resistividades horizontal e vertical da sequência. A partir destas, é possível determinar a resistividade real da lâmina de areia e consequentemente quantificar a saturação de hidrocarbonetos de maneira mais realista nestes reservatórios. Os resultados mostram que a saturação de hidrocarbonetos baseada nos dados da ferramenta de indução multicomponente são significativamente maiores do que aquelas baseadas nos dados de indução convencional. Portanto, uma avaliação petrofísica baseada somente na resistividade horizontal pode subestimar consideravelmente as reservas de hidrocarbonetos em reservatórios deste tipo.

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