Proveniência de sedimentos da Bacia de Curitiba por estudos de minerais pesados

Denise Alessandra Monteiro Machado, Luiz Alberto Fernandes, Ana Maria Góes, Maria José de Mesquita, Fabio Macedo de Lima

Resumo


A Bacia de Curitiba situa-se na porção Centro-sul do primeiro planalto paranaense. Inclui a cidade homônima e parte dos municípios da região metropolitana. É uma bacia neogênica alongada na direção ENE, que pertence ao Sistema de Riftes Cenozoicos do Sudeste do Brasil. Seu preenchimento sedimentar preservado estende-se por 3.000 km² e compreende lamas, areias arcosianas e cascalhos da Formação Guabirotuba. Dentre as bacias que integram o Sistema de Riftes Cenozoicos do Sudeste do Brasil, a Bacia de Curitiba é a menos estudada em detalhes. Até o presente momento, não foram divulgadas pesquisas de tal assembleia acessória. Foram analisados minerais pesados transparentes, não micáceos e não magnéticos, de fração granulométrica 3 - 4 φ (0,125 - 0,062 mm), separados com uso de bromofórmio (d = 2,89 g/cm³) e ímã de mão. A determinação foi feita com montagens permanentes de grãos, com bálsamo do Canadá (n = 1,53), analisadas em microscópio petrográfico. Na assembleia mineralógica encontrada predominam grãos de zircão, além de epídoto, turmalina, cianita, rutilo e traços de sillimanita e granada. O zircão ocorre como grãos euédricos a subédricos incolores a subordinadamente róseos e metamícticos. O estudo de minerais pesados na Bacia de Curitiba sugere que, em direção ao centro da bacia, as quantidades de zircão tendem a diminuir, enquanto as quantidades de epídoto aumentam. Foram caracterizadas duas associações mineralógicas: a primeira, denominada Alto Zircão, possui quantidades de zircão entre 51 a 97%; a segunda foi denominada Alto Epídoto e tem quantidade máxima relativa de epídoto entre 31 a 53%. Essas diferenças nos valores de zircão e epídoto permitem inferir a possibilidade de mais de uma área-fonte para estes sedimentos. As principais tendências de paleocorrentes indicaram como potenciais rochas-fonte os granitos da Província Graciosa e os metamorfitos do Complexo Atuba. Ainda, não se pode descartar a possibilidade de segregação hidráulica. O zircão, por ser mais denso, tem tendência de não avançar tanto no transporte da bacia adentro quanto o epídoto que apresenta densidade menor. Conclui-se, portanto, que a proporção relativa entre estes dois minerais seria um bom traçador da dinâmica de transporte sedimentar na bacia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5327/Z0375-75362012000300010

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