Rochas dioríticas do Platô da Ramada, Rio Grande do Sul, e sua relação com o vulcanismo alcalino da Formação Acampamento Velho, Neoproterozoico do Escudo Sul-Rio-Grandense

Vinícius Matté, Sommer Carlos Augusto, Evandro Fernandes de Lima, Dejanira Luderitz Saldanha, Jussara Alves Pinheiro-Sommer, Joaquim Daniel de Liz

Resumo


Estudos realizados no Platô da Ramada (região Centro-Oeste do Rio Grande do Sul) permitiram a caracterização de um corpo hipabissal diorítico, intrusivo em rochas piroclásticas da Formação Acampamento Velho. Esta unidade é constituída por rochas vulcânicas de composição predominantemente ácida, com termos básicos associados, e corresponde à porção extrusiva do magmatismo alcalino sódico de idade Neoproterozoica (570-550 Ma), vinculado aos estágios pós-colisionais do Ciclo Brasiliano-Panafricano no Escudo Sul-Rio-Grandense. O corpo intrusivo varia desde termos dioríticos até quartzo-monzoníticos e sua afinidade alcalina sódica é atestada pelos padrões de elementos litófilos de grande raio iônico (LILE), elementos de elevado potencial iônico (HFSE) e elementos terras raras (ETR), cujas características indicam sua correlação com o magmatismo alto Ti da Formação Acampamento Velho, descrito no Platô da Ramada. A evolução do magmatismo alcalino da Formação Acampamento Velho nesta região pode ser explicada, principalmente, por processos de cristalização fracionada envolvendo três estágios principais, conforme resultados obtidos por meio de modelamentos petrogenéticos apresentados neste artigo. No entanto, face ao grande volume de rochas riolíticas de alta sílica e a complexidade que envolve a geração e a evolução destes líquidos, a possibilidade de que tenham ocorrido processos de cristalização fracionada associados possivelmente a mecanismos de assimilação crustal é grande. A identificação e a caracterização de rochas intermediárias relacionadas à Formação Acampamento Velho no Platô da Ramada indicam, portanto, que o magmatismo provavelmente evoluiu desde composições básicas até ácidas. Porém, a assertiva relacionada à bimodalidade do vulcanismo ainda permanece, devido à ausência de lavas andesíticas. Tal ausência pode ser atribuída a uma ‘barreira de densidade’ gerada pela diferenciação dos líquidos básicos para intermediários enriquecidos em FeO, os quais, por esta razão, estacionariam nos níveis crustais rasos.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5327/Z0375-75362012000200010

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