Morfologia e química de cinzas do vulcão Puyehue depositadas na região metropolitana de Porto Alegre em junho de 2011

Evandro Fernandes de Lima, Carlos Augusto Sommer, Ieda Maria Cordeiro Silva, Antenor Pacheco Netto, Marcelo Lindenberg, Rita de Cássia Marques Alves

Resumo


Em junho de 2011, o Serviço Geológico Nacional do Chile relatou uma explosão vulcânica de ordem 5 na região de Los Ríos, no Complexo Vulcânico Puyehue - Cordón Caulle. Este abriga vulcões pleistocênicos construídos em seis grandes fases evolutivas e preserva 131 km³ de vulcanitos. O estratovulcão Puyehue (69 ka) teve seus últimos registros de explosões e efusões em 1921, 1922 e 1960. A explosão de junho de 2011 gerou uma coluna de piroclastos e gases com 10 km de altura e sob condições de alta temperatura. O ar circundante foi aquecido e incorporado, diminuindo a densidade da coluna que ascende em direção à atmosfera. O material piroclástico estaciona em uma zona de equilíbrio entre as densidades do meio e da cabeça da pluma, e a ação dos ventos determina a dispersão das cinzas. Em 9, 10 e 14 de junho de 2011, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM-RS) coletou, em seus filtros, cinzas do Puyehue no Oitavo Distrito de Meteorologia, em Porto Alegre. As concentrações mantiveram-se abaixo dos padrões do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA (150 μg/ m³) e do Valor Guia (VG - OMS = 25 μg/m³). A investigação, por meio do uso do microscópio eletrônico de varredura (MEV), indicou que as cinzas são finas (2 - 30 micra), com hábitos angulosos alongados e placoides. As terminações curvilíneas, correspondentes aos limites entre as vesículas e o magma, são vítreas (shards), ricas em SiO2 e Al2O3, e com conteúdos baixos de álcalis e FeOt. O difratômetro obtido em tefra retrabalhada indica a presença de plagioclásio e cristobalita, sendo também observadas nos precipitados de queda estudados na Argentina.

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.5327/Z0375-75362012000200004

Apontamentos

  • Não há apontamentos.