Monazita em veios de quartzo da Serra do Espinhaço Meridional (MG): mineralogia, idades LA-ICP-MS e implicações geológicas

Mario Luiz de Sá Carneiro Chaves, Paulo Roberto Gomes Brandão, Bernhard Buhn

Resumo


Com a descoberta de ocorrências de monazita num ambiente geológico incomum, em veios de quartzo na Serra do Espinhaço Meridional, propôs-se estudar a geologia desses depósitos e seus comportamentos químicos em três localidades (Buenópolis, Olhos d’Água e Diamantina), bem como datações geocronológicas U-Pb por abrasão a laser MC-ICP-MS foram efetuadas em amostras de Diamantina e Olhos d’Água. Em Buenópolis, o mineral aparece como indivíduos geminados, em cascalheiras coluvionares na zona de contato do Grupo Macaúbas com o Supergrupo Espinhaço. Na ocorrência de Olhos d’Água, têm sido registrados grandes cristais em bolsões ovalados métricos, hospedados em metapelitos do Grupo Macaúbas. Em Diamantina, foram estudados cristais milimétricos de um depósito coluvionar do Rio Caeté-Mirim. Certamente, no primeiro e no terceiro casos, tais grãos se originaram dos abundantes veios de quartzo que seccionam as seqüências regionais. Análises com microssonda eletrônica mostraram valores de óxidos em geral semelhantes para os três depósitos, entretanto com certas particularidades. As amostras foram caracterizadas como monazitas-(Ce), localmente ricas em neodímio e, embora em geral não tenham revelado semelhanças absolutas para dois depósitos, Diamantina e Olhos d’Água apresentaram alguns aspectos químicos preferenciais. Os resultados U-Pb indicaram, supondo-se as idades mais antigas (~491 Ma) como de cristalização do mineral, uma extensão completa de idades na faixa entre 490 e 440 Ma, provavelmente devidas a reaquecimentos tardios. Em termos geotectônicos, tais idades permitem evidenciar as últimas manifestações referentes ao Ciclo Brasiliano na região.

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