Calcretes e registros de paleossolos em depósitos continentais neocretáceos (Bacia Bauru, Formação Marília)

Luiz Alberto Fernandes

Resumo


Os resultados apresentados baseiam-se em estudo regional de calcretes e registros de paleossolos da parte oriental da Bacia Bauru, em São Paulo e Triângulo Mineiro. Esta bacia neocretácea foi preenchida por seqüência siliciclástica arenosa única, em clima semi-árido nas bordas, desértico no centro. Os calcretes mais expressivos estão na Formação Marília (Grupo Bauru) que, em escala regional, são representados por dois tipos extremos, relacionados com o contexto deposicional. O Ponte Alta formou-se em depósitos de leques aluviais marginais, o tipo Echaporã, em depósitos arenosos eólicos interiores, de extensos lençóis de areia e suaves depressões com rios e lagoas temporários. São propostos três contextos genéticos para os calcretes da Formação Marília: pedogenético periférico (Pp), pedogenético interior (Pi) e freático (F). Nos dois primeiros predominaram processos edáficos vadosos e paludiais, perfis de solos pouco desenvolvidos. Neles verificouse maior freqüência da associação de microtexturas beta. Ocorrem no Triângulo Mineiro (MG), regiões de Monte Alto, Agudos, Bauru (SP). No contexto freático houve intenso desenvolvimento de texturas micríticas a esparíticas, que provavelmente destruiu feições originais da associação beta, geradas em contextos Pp e Pi. A sobreposição de processos freáticos determinou predomínio da associação de microtexturas alfa. Eles foram provavelmente mais intensos e do último e/ou do mais importante evento na formação dos calcretes internos da bacia, em perfis tipo Echaporã. Ocorrem nas regiões de Marília e Echaporã (SP). A configuração dendrítica do relevo de platôs estritos e longos, sustentados pelos arenitos calcificados da Formação Marília, indica processos de elaboração da paisagem por inversão de relevo.

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