Caracterização de vulcânicas adakíticas e cálcio-alcalinas no greenstone belt do rio Itapicuru, Bahia: petrogênese e implicações geodinâmicas

Alberto Ruggiero, Elson Paiva Oliveira

Resumo


Novos dados geoquímicos para as rochas vulcânicas da Unidade Maria Preta, greenstone belt do Rio Itapicuru, revelaram a presença de dois grupos distintos: um de rochas com afinidade adakítica e outro cálcio-alcalina. A suíte adakítica ocorre na porção oeste da Unidade Maria Preta e é caracterizada por altos valores de Sr/Y, Ti/Y N >;1 e pelo enriquecimento em elementos de baixo potencial iônico (LFSE) em relação aos de elevado potencial iônico (HFSE) e também pelo moderado fracionamento dos elementos terras raras. A suíte cálcio-alcalina, que aflora na porção leste, apresenta baixas razões Sr/Y, Ti/Y N <1, menor fracionamento de elementos terras raras e anomalias negativas de Eu. Dados de isótopos de Sm-Nd, recalculados para (2170 Ma) forneceram valores de εNd de +4,78 a +2,55 para a suíte adakítica e de +1,37 a + 1,90 para a suíte cálcio-alcalina, sugerindo que as duas suítes podem ter sido geradas em contexto de zona de subducção. Os dois grupos vulcânicos não se relacionam por cristalização fracionada e provavelmente foram derivados de fontes distintas (diferentes razões iniciais Nd). A geoquímica das vulcânicas cálcio-alcalinas foi atribuída à fusão da cunha do manto metassomatizado por fluídos liberados a partir de uma crosta oceânica subductada, seguido por fracionamento de plagioclásio no magma. Por outro lado, a geoquímica dos adakítos requer fusão de meta-basaltos hidratados com granada e/ou hornblenda residual. Esta suíte não apresenta indícios de interação significativa com a cunha do manto, como em adakitos atuais, face aos baixos valores de Cr e Ni. A distribuição geográfica das duas suítes sugere subducção de crosta oceânica para oeste, caso sejam da mesma idade.

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