Evolução tectono-cronológica da estrutura de interferência de Nossa Senhora de Lourdes, Faixa Sergipana, NE-Brasil

Juliana Finoto Bueno, Juliano José de Souza, Mário Neto Cavalcanti Araújo, Elson Paiva de Oliveira

Resumo


A estrutura de interferência de Nossa Senhora de Lourdes, no domínio Macururé, Faixa Sergipana (NE-Brasil), apresenta um padrão de interferência em cogumelo resultante da evolução de sucessivos eventos de dobramentos. Estes dobramentos ocorreram pela superposição de três eventos de deformação dúctil (D1-D3). D1 é caracterizado por nappes com vergência e cavalgamentos para sul. D2 é marcado pela reativação coaxial de D1, tem um caráter transpressivo e é o principal evento colisional na faixa. Foram mapeados dois grupos de granitos alojados durante D2: o Tonalito Camará pré a cedo-D2, com idade U-Pb SHRIMP em zircão de 628±12 Ma, considerada a idade máxima para o início de D2. O outro grupo é formado por granitos sin a tardi-D2. Foram obtidas duas idades U-Pb TIMS em titanita para estes granitos; 584±10 Ma para o Granito Angico sin-D2 e 571±9 Ma para o Granito Pedra Furada tardi-D2. Utilizando estas idades tem-se que D2 esteve em operação por pelo menos 57 Ma na Faixa Sergipana. D3 é o último evento de deformação dúctil na estrutura de interferência, iniciando-se após 571 Ma quando a faixa experimentou um grande soerguimento em resposta a uma compressão em um regime rúptil a dúctil-rúptil. D4 encerra a orogenia neoproterozóica na região e é caracterizado pela ocorrência de estruturas rúpteis. D3 e D4 são os responsáveis pela exumação da estrutura de interferência de Nossa Senhora de Lourdes para níveis crustais mais rasos e pela atual arquitetura crustal desta região da Faixa Sergipana.

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