Braquiópodes (Rhynchonelliformea, Bouchardioidea) neógenos da bacia de Pelotas (RS) e seu significado paleoambiental

Marcello Guimarães Simões, Suzana Aparecida Matos da Silva, Sabrina Coelho Rodrigues, João Carlos Coimbra

Resumo


A ocorrência de braquiópodes no Neógeno da Bacia de Pelotas é conhecida desde 1862. A despeito disso, porém, estudos detalhados de sistemática e tafonomia ainda não existem. Investigações conduzidas meio século atrás indicaram que os braquiópodes poderiam ser atribuídos à espécie Bouchardia cf. zitteli, comum à Formação San Julian, Oligoceno Superior, Argentina. A revisão realizada indica, contudo, que a espécie presente é Bouchardia transplatina. Na porção uruguaia da Bacia de Pelotas, B. transplatina é conhecida na Formação Camacho, Mioceno. Em adição, pequenas conchas de braquiópodes foram recuperadas também de material de calha, de poços Petrobras (2PJ-1-RS, 2PN-1-RS e 2GA-1-RS), na porção continental da Bacia de Pelotas. Esses braquiópodes provêm de intervalo estratigráfico (130 a 150 metros) correspondente à Zona Henryhowella evax (Mioceno). A despeito do alto grau de dissolução das conchas, essas podem ser atribuídas, sem dúvida, a Bouchardia sp. Os dados acima são relevantes, pois: 1- Bouchardia possui afinidades com águas quentes (tropicais/subtropicais). Presentemente, formas viventes desse gênero habitam águas em latitudes de até 34ºS, mas a maior abundância está em torno de 23ºS; 2- embora ocorram em profundidades superiores a 200 metros, Bouchardia rosea (espécie vivente) é mais abundante em águas plataformais rasas, ricas em nutrientes; 3- a presença de Bouchardia, no Mioceno da Bacia de Pelotas indica que, pelo menos no intervalo da Zona Henryhowella evax, condições de águas quentes relacionadas à Corrente do Brasil, prevaleceram. Essa interpretação está de acordo com dados paleoeoceanográficos e paleoclimáticos, fornecidos por ostracodes e foraminíferos que co-ocorrem com os braquiópodes estudados

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