Caracterização e evolução geoquímica das águas subterrâneas da mina de Candiota (RS), Brasil

Claudio Roisenberg, Milton Luiz Laquintinie Formoso, Norberto Dani, Michel Loubet, Ezequiel Pozocco

Resumo


De forma a avaliar os impactos das atividades de mineração desenvolvidas na Mina de Candiota, maior reserva brasileira de carvão, sobre a qualidade das águas subterrâneas, foram efetuados estudos geoquímicos da água e dos arenitos parálicos da Formação Rio Bonito que constituem o sistema aqüífero granular. A modelagem geoquímica indica que, para a maioria dos casos, a água subterrânea é subsaturada em relação ao equilíbrio água-carbonatos e supersaturada em relação ao equilíbrio água-goethita e -caolinita. Os resultados mostraram acidificação e presença de sulfato pouco significativas na água subterrânea. A oxidação natural da pirita ocorre de forma limitada pela entrada restrita de oxigênio no sistema aqüífero, sendo responsável pelas correlações positivas verificadas entre sulfato e ferro. O conteúdo de ferro, entretanto, é menor que o valor esperado para a oxidação da pirita na água subterrânea, o que pode ser explicado pela precipitação de oxi-hidróxidos de Fe (por exemplo, goethita). A dissolução de carbonatos (calcita, siderita e ankerita) é um processo importante na neutralização da acidez do meio, controlando a composição química da água subterrânea pelo consumo de prótons e pela solubilização de Ca2+ e Mg2+. Em comparação à composição média nas águas superficiais, cálcio e magnésio são significativamente mais empobrecidos que sódio e potássio nas águas subterrâneas, o que pode estar relacionado à adsorção seletiva. Para a correlação cálcio-bicarbonato, verificase a provável contribuição de CO2 atmosférico e de CO2 contido no solo, bem como da oxidação da matéria orgânica para o acréscimo no conteúdo final de bicarbonato

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