Bauxitas do nordeste do Amazonas

Sanclever Freire Peixoto, Adriana Maria Coimbra Horbe

Resumo


Este trabalho discute os perfis com crosta bauxítica desenvolvidos sobre rochas ígneas e sedimentares do NE do estado do Amazonas. Os resultados estruturais, texturais, mineralógicos e químicos apontam algumas diferenças entre eles, as quais refletem principalmente a natureza de suas rochas-mãe. A crosta bauxítica dos perfis 1 (rochas vulcânicas) e 2 (graníticas) é mais espessa que no perfil 3 (sedimentares), apresenta maior variedade de fácies (maciça, protonodular, nodular e pisolítica) e se desenvolveu imediatamente acima do saprólito. Por outro lado, o perfil 3 possui espesso horizonte mosqueado, crosta ferruginosa bem desenvolvida e crosta bauxítica incipiente. A análise de componentes principais (ACP) definiu as seguintes associações geoquímicas: (1) SiO2, Al2O3, K2O, Ba, Sr e ETRL, onde SiO2 predomina no saprólito e mosqueado do perfil 3 como quartzo, Al2O3 na crosta bauxítica (maciça e pisolítica) e nos fragmentos dos perfis 1 e 2 como gibbsita e secundariamente na caulinita, enquanto Ba, Sr e ETRL destacam-se no saprólito dos perfis 1 e 3, associados a feldspato, illita e muscovita; (2) V, Pb, Fe2O3 e As estão concentrados, principalmente na crosta ferruginosa dos três perfis e seus fragmentos ricos em óxi-hidróxidos de ferro (hematita e goethita), enquanto (3) Ga, Th, Ta, Sn, Nb, Hf, Zr, Y, TiO2 e ETRP predominam na matriz do desmantelado e no solo dos perfis 1 e 2, associados aos resistatos (zircão, columbita, thorita, xenotima, etc) ou como anatásio (TiO2). Os resultados indicam qualidade industrial para os horizontes bauxíticos da mina do Pitinga (perfis 1 e 2) e são equivalentes aos das bauxitas de outras regiões da Amazônia. Os três perfis foram interpretados como produto de alteração in situ, e apesar de resultarem do intemperismo polifásico atuante em toda a Amazônia desde o Cretáceo Superior, a ausência de horizonte mosqueado nos perfis 1 e 2 em relação aos que ocorrem sobre as vulcânicas mais a sul da área sinaliza variações regionais nas condições de lixiviação. Isto justifica também o não desenvolvimento de horizontes bauxíticos em outras áreas e a bauxita incipiente sobre a Formação Prosperança

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.