VARIAÇÕES TEXTURAIS INDUZIDAS PELO VENTO NOS SEDIMENTOS DA FACE DA PRAIA (PRAIA DE ATALAIA, PIAUÍ)

ABÍLIO CARLOS DA SILVA PINTO BITTENCOURT, JOSÉ MARIA LANDIM DOMINGUEZ, ORDÔNIO MOITA FILHO

Resumo


Na praia de Atalaia (município de Luís Correia, Piauí), as variações nas características texturais do sedimento da face da praia resultam da interação de dois processos diferentes: 1. a atividade do movimento de ressaca das ondas e 2. a alternância de estações secas e chuvosas. O último desses dois processos foi investigado em detalhe nessa praia. Durante a estação seca, de agosto a dezembro, os ventos que sopram continente adentro, com velocidades médias superiores a 4,0 m/s, removem da face da praia uma porção significativa das frações de areia fina a muito fina depositando-a no campo de dunas ativas contíguo. Como consequência, nesse período as areias da face da praia apresentam altos valores da mediana, em torno de 0,700 mm. Durante a estação chuvosa, de janeiro a abril, as chuvas ininterruptas umedecem o sedimento praial. Este fato, associado a ventos que sopram continente adentro com velocidades mais baixas na estação chuvosa, inibe a remoção das frações finas do sedimento da face da praia. Desse modo, durante esse período o sedimento praial é composto principalmente por areias finas e muito finas (cerca de 90%), com valores da mediana em torno de 0,150 mm. A preservação no registro estratigráfico dessas variações texturais produzidas pelo clima depende da velocidade de progradação da linha de praia. As melhores chances de preservação estão associadas com altas velocidades de progradação. Este trabalho também mostra que, na área estudada, o suprimento de sedimentos para o campo de dunas está inteiramente relacionado às variações sazonais na precipitação atmosférica que são, em última análise, controladas por mudanças latitudinais da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Assim, mudanças climáticas que impeçam o deslocamento para o sul da ZCIT durante o verão-outono resultarão em um significativo decréscimo da precipitação sobre a área estudada, aumentando, portanto, o transporte de sedimento da face da praia para o campo de dunas. Este fato se traduzirá em uma maior expansão do campo de dunas.

Palavras-chave


Láminação da face da praia; Campo de dunas; Mudanças climáticas.

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