DETECTABILIDADE MAGNÉTICA DE DIQUES DO ARCO DE PONTA GROSSA: UM ESTUDO INTEGRADO DE MAGNETOMETRIA TERRESTRE/AÉREA E MAGNETISMO DE ROCHA

NAOMI USSAMI, ALEXANDRE KOLISNYK, MARIA I. B. RAPOSO, FRANCISCO J. F. FERREIRA, EDER C. MOLINA, MÁRCIA ERNESTO

Resumo


Enxames de diques mesozóicos ocorrem no Arco de Ponta Grossa, entre a borda leste da Bacia do Paraná e a margem continental sudeste do Brasil. Estes enxames compreendem diques, na maioria toleíticos, com larguras que variam de alguns metros a 100m, e intrudem o embasamento Pré-Cambriano e os sedimentos paleozóicos na direção preferencial NW. A análise preliminar dos dados aeromagnéticos sugeriu que os diques continuam na direção noroeste, em direção ao centro da Bacia do Paraná, sob os derrames basálticos e sedimentos pósvulcânicos. Com o objetivo de investigar a detectabilidade magnética de diques não-aflorantes por aerolevantamentos convencionais, um estudo combinado de magnetometria terrestre/aérea e magnetismo de rochas foi conduzido na região norte do Arco de Ponta Grossa (Fartura, SP), onde os diques afloram. Um perfil magnetométrico terrestre de 16 km de extensão, com intervalos entre as medidas de 12,5 a 25,0m, foi levantado na região. Existe uma correspondência entre os diques aflorantes e anomalias magnéticas de curto comprimento de onda. Os dados magnetométricos terrestres foram transformados em dados aeromagnéticos pela técnica de continuação para cima, a várias alturas, até coincidir com a linha de vôo de um aerolevantamento efetuado a 450m acima do terreno (a.t.). Este processo revelou que a maioria das anomalias magnéticas de diques são fortemente atenuadas a uma altura de apenas 100 m. A 450m a.t, somente anomalias associadas a um grupo de diques ou anomalia devida a um único dique com forte magnetização permanecem. Estes resultados foram integrados aos dados de magnetização dos diques medidos em laboratório, a fim de estabelecer um critério quantitativo de detectabilidade magnética de diques a partir de aerolevantamentos magnéticos con-vencionais. Conclui-se que, nesta região, a maioria dos diques somente são detectados por levantamentos terrestres, por causa da baixa magnetização e pequena largura dos diques. Dois perfis magnetométricos terrestres adicionais foram levantados na região de Maringá (PR) e Teodoro Sampaio (SP), onde os diques não afloram, e os resultados analisados. Estes mostram que os diques do Arco de Ponta Grossa devem continuar para noroeste, em direção ao eixo central da bacia, cortando discordantemente as espessas seqüências de derrames basálticos. Estes resultados reforçam as evidências geoquímica e paleomagnética de que os diques da borda leste da Bacia do Paraná estão associados a um evento tectonomagmático tardio ou subseqüente ao derrame basáltico principal da Formação Serra Geral das partes sul e central da Bacia do Paraná.

Palavras-chave


Magnetismo de diques; Detectabilidade de diques; Levantamentos aeromagnéticos.

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