O SISTEMA ORÓS-JAGUARIBE NO CEARÁ, NE DO BRASIL

CLÓVIS VAZ PARENTE, MICHEL HENRI ARTHAUD

Resumo


O Sistema Orós-Jaguaribe é uma unidade geotectônica ímpar dentro do domínio da Província Borborema. Ele é composto por duas faixas lineares móveis, cuja evolução iniciou-se em torno de l,9 Ga, sobre um embasamento mais antigo, metamorfizado em fácies anfibolito alto e marcado por uma deformação tangencial. Contrastando com o embasamento, o Sistema, constituído sobretudo por sequências metavulcano-sedimentares recortadas por intrusões ácidas e máficas, foi metamorfizado em condições que variam de xisto verde baixo a granulito e deformado em regime transcorrente durante o Ciclo Brasiliano. Os metassedimentos são sobretudo pelíticos e englobam importantes intercalações lenticulares de quartzitos quase maturos, quartzitos carbonosos, rochas cálcio-silicáticas e mármores calcíticos, dolomíticos e magnesíticos. Na Faixa Orós, esta associação tem uma distribuição inversa: os sedimentos detríticos, particularmente os quartzitos, diminuem em extensão e volume em direção a sudoeste, enquanto os carbonatos são mais abundantes, particularmente os mármores calcíticos. Estes últimos tornam-se mais magnesianos em direção a nordeste, através de um processo de diferenciação química (eliminação do Ca que teria precipitado sob forma de carbonato cálcico ou cálcico-magnesiano ou mesmo de sulfatos). Tais relações caracterizam um sistema misto parálico-deltáico. As rochas ortoderivadas, sobretudo as ácidas, são dominantemente de natureza alcalina a subalcalina, características de ambiente intracratônico. A associação litológica e a organização dos metassedimentos, sobretudo os basais, indica que eles se depositaram em um ambiente plataformal e/ou para-plataformal antecedendo um estágio rift associado a um intenso magmatismo.

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