GEOLOGIA E GEQQUÍMICA DOS ELEMENTOS MAIORES DOS DEPÓSITOS DE MAGNESITA PRÉ-CAMBRIANA (~1.8Ga) DA FAIXA MÓVEL ORÓS ( CEARÁ)

CLÓVIS VAZ PARENTE, JEAN JACQUES GUILLOU, MICHEL HENRI ARTHAUD

Resumo


Os cinco principais jazimentos e algumas pequenas ocorrências de magnesita do Ceará formam um rosário de lentes que se estende por cerca de 140 km. As rochas magnesíticas são encaixadas em metadolomitos com lutecita, quartzo fibrorradiado pseudomorfo sobre nódulos de sulfates, brechas de dissolução e escapolita. O conjunto está hospedado em uma sequência metavulcanossedimentar de fácies xisto verde a anfibolito, com intrusões de sills básicos e granitos de tamanho, forma e composição variada do Mesoproterozóico (1.78Ga) ao Neoproterozóico. Dois tipos de mármores magnesíticos podem ser distinguidos: os mármores de grão médio (l a 9mm) e os espáticos (l a 15cm). Os espáticos apresentam grandes variações texturais, com predomínio dos tipos porfirítico, em roseta, bandado e palissádico. Os últimos ainda preservam estruturas dos sedimentos originais. A sua cor varia entre o branco, cinza claro, cinza escuro e vermelho tijolo. O termo bandado escuro apresenta traços de microfósseis e estruturas estromatolíticas. Os mármores de grão médio, por sua vez, são mais homogéneos em textura e cor e os cristais são, em geral, xenomórficos. Em geral, os mármores espáticos são mais pobres em SiO2, Fe2O3, Al2O3 e CaO e mais ricos em MgO que seus equivalentes de grão médio. Uma reconstituição paleogeográfica sugere que o ambiente de formação dessas rochas se aproxima de um sistema parálico, lagunar, com tendências evaporíticas marcantes. As depressões deveriam ter profundidade e comprimento variados e poderiam ser isoladas, em particular por barreiras estromatolíticas, ressecadas e inundadas por águas marinhas e, episodicamente, por águas continentais. As depressões maiores e mais profundas correspondem às ocorrências de magnesita espática. Regionalmente, esses mármores gradam para mármores dolomíticos e estes, por sua vez, para mármores calcíticos quase puros, o que sugere uma diferenciação química no sistema parálico, segundo a qual a precipitação de carbonato de cálcio resultaria em aumento da razão Mg/Ca, favorecendo a precipitação de magnesita. Os mármores ricos em magnesita são, portanto, interpretados como de origem sedimentar e foram submetidos a importantes modificações diagenéticas antes do metamorfïsmo e deformação neoproterozóica.

Palavras-chave


Magnesita; Geoquímica; Mármores; Faixa Móvel Orós.

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