O BATOLITO CALCIO-ALCALINO DE ALTO- K DA SERRA DA LAGOINHA, ESTADOS DO CEARÁ E PARAÍBA: COEXISTÊNCIA E MISTURA DE MAGMAS DIORÍTICOS COM MAGMAS QUARTZO MONZONÍTICOS A GRANÍTICOS

GORKI MARIANO, MAURÍCIO DE NASSAU DE MATTOS SOBREIRA

Resumo


O batólito de Serra da Lagoinha (BSL) com área aflorante de 200 km2 localiza-se na Província Borborema, no nordeste do Brasil, e intrude xistos e filitos na borda do cinturão de dobramentos Cachoeirinha-Salgueiro. O seu limite sul é definido por uma transcorrência sinistrai (Boqueirão dos Cochos) de direção NE-SW que conecta as megatranscorrências dextrais de direção E-W de Patos a norte e de Pernambuco a sul. No BSL foram identificados três domínios litológicos: o félsico porfirítico composto por monzonitos, quartzo monzonitos, quartzo monzodioritos, granitos a granodioritos, com megacristais de K-feldspato ou com granulação grossa; o K-diorito composto por biotita (quartzo) dioritos a tonalitos e o híbrido composto de monzonitos e biotita (quartzo) dioritos. As evidencias de campo mostram que estes domínios litológicos foram produzidos pela coexistência e mistura de magmas de composição diorítica ricos em potássio com magmas de composição quartzo monzonitos a granitos potássicos. As rochas de composição diorítica são enriquecidas em Nb, Ba, e Zr e TRL em relação às félsicas. Os padrões de ETR para as rochas máficas e félsicas são semelhantes, enriquecidos em TRL em relação aos TRP e com (La/Yb)N variando de 22,43 a 36,10 nas rochas félsicas e de 27,21 a 58,87 nas dioríticas. Geobarômetro baseado em Air em anfibólio (Hollister et al 1987) mostra que a cristalização do anfibólio no BSL ocorreu a aproximadamente 4,5 kbar. Geotermometria com base na coexistência de anfibólio e plagioclásio, Blundy & Holland (1990), fornece temperatura em torno de 742 ° C. Isótopos de Oxigénio em rocha total mostraram valores médios para as rochas máficas de δ O18 = + 7,9 permilSMOW e para as rochas félsicas de δ O18 = + 9,1 %OSMOW, sugerindo equilíbrio isotópico através da coexistência de magmas de fontes distintas ou processos de cristalização fracionada. Os valores obtidos através da correção por quartzo para as rochas félsicas apresentaram, em média, δ O18 = + 9,2 %OSMOW., sugerindo que os valores de δ O18 determinados em rocha total são primários. A sistemática de Sm-Nd mostra T(DM) de 1,78 e 1,70 Ga e εNd(600) de -l 1,5 e -10,2 para duas amostras félsicas porfiríticas e T(DM) de 1,78 Ga e εNd(600) de -11,15 para um K-diorito. Isto reflete uma fonte para o BSL formada essencialmente por material do manto litosférico de idade transamazonica (ca 2,0 Ga) com reduzida contribuição de manto litosférico de idade Cariris Velhos (ca 1,0 Ga). Os dados geoquímicos obtidos para elementos maiores, traços e terras raras para o BSL, associados as evidências de campo, caracterizam diferentes etapas de interação entre os magmas máfícos e félsicos, evidenciando a predominância do processo de mistura de magmas de fontes distintas durante a evolução do BSL.

Palavras-chave


Cálcio-alcalino de alto-K; Tipo Itaporanga; Mistura de magmas; Geoquímica; Isótopos de Oxigénio; Nordeste do Brasil.

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