A descoberta de novas espécies minerais e minerais tipo do Brasil

Daniel Atencio

Resumo


Os minerais foram vistos apenas como fontes de produtos químicos: minério de ferro, minério de cobre, etc. No entanto, não são apenas associações de elementos químicos, uma vez que apresentam estruturas cristalinas. Essas duas características em conjunto proporcionam propriedades que podem ser tecnologicamente úteis. Mesmo que um mineral ocorra em quantidade muito pequena, o que não permite a sua extração, pode servir como um modelo para a obtenção do análogo sintético em uma escala industrial. É necessário que uma proposta de novo mineral seja submetida à aprovação pela Comissão de Novos Minerais, Nomenclatura e Classificação (CNMNC) da Associação Mineralógica Internacional (IMA) antes da publicação. Somente 65 espécies minerais válidas foram descritas pela primeira vez no Brasil, isto é, minerais-tipo do Brasil. Dezenove delas foram publicadas entre 1789 e 1959 (0,11 por ano). De 1959, quando a CNMMN (hoje CNMNC) – IMA foi criada, até 2000, 18 espécies minerais brasileiras aprovadas permanecem válidas (0,43 por ano). No entanto, o número de minerais-tipo do Brasil aprovados nos últimos 15 anos (2000 – 2014) foi substancialmente maior: 28 (1,87 por ano). Esse número é muito pequeno considerando a grande variedade de ambientes geológicos brasileiros. As duas primeiras espécies-tipo do Brasil, descobertas no século 18, crisoberilo e euclásio, são importantes minerais gemológicos. Dois outros minerais-gema, membros do supergrupo da turmalina, foram publicados apenas no século 21: uvita e fluor-elbaíta. Alguns minerais-tipo do Brasil são muito importantes tecnologicamente falando. Alguns exemplos são menezesita, coutinhoíta, lindbergita, pauloabibita e waimirita-(Y).

Palavras-chave


Minerais novos; Minerais-tipo; Descrição mineralógica; Brasil.

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DOI: http://dx.doi.org/10.1590/23174889201500010011

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