As brechas de origem ígnea: revisão e proposta para uma classificação geológica

Horstpeter H. G. J. Ulbrich

Resumo


Com base em observações no Planalto de Poços de Caldas, e numa revisão bibliográfica, apresenta-se proposta para a classificação das brechas subaéreas e intratelúricas de origem ígnea. Engloba-se no termo "brecha ígnea" todas as rochas clásticas de origem ígnea, cujos clastos (de angulosos até arredondados) sejam maiores do que 2 mm. A classificação proposta divide as brechas em vulcânicas subaéreas, vulcânicas Intratelúricas (de conduto) e plutônicas. As brechas vulcânicas subaéreas são as autoclásticas de derrame (incluindo as de ajuste, de talus e de colapso externo e interno de domos vulcânicos), as piroclásticas aerotransportadas (tufitos, lapillitos), os depósitos piroclásticos de fluxo (entre os quais se encontram os ignimbritos e os depósitos freato-magmáticos de "maare") e as brechas epigenéticas associadas ao vulcanismo (entre as quais os lahars são as mais importantes). As brechas subvulcânicas de conduto compreendem as autoclásticas (de fricção, etc.), e xenolíticas de conduto (com matriz de rocha vulcânica) e o importante grupo de brechas de conduto que resultam da atividade explosiva. Estas ultimas dividem-se principalmente em brechas nãointrusivas (de colapso, do tipo "shatter" ou de fragmentação, e as que se encontram como brechas "quebradas" ou zonas "craquelées") e intrusivas de conduto (do tipo tufisítico, geralmente com matriz predominante ou pelo menos abundante, e os aglomerados e brechas intrusivas, geralmente com pouca matriz); utilizando características estruturais, apresenta-se um esquema de geração destes vários tipos, baseado em modelos da literatura. As brechas plutônicas são divididas em brechas protoclásticas de contato e fricção (cataclasitos e milonitos), agmatitos, brechas de substituição e vários tipos de diques e condutos de brecha (estruturalmente idênticas às brechas subvulcânicas de conduto, porém associadas a corpos plutônicos). Revisam-se os termos texturais e estruturais utilizados para descrever as brechas e propõe-se adicionalmente que se enfatizem na descrição tanto as características dos clastos (tipo, seleção, arredondamento, tamanho, etc.) como também as relações clastos vs matriz; identificam-se assim três tipos de brechas: clasto-sustentada, sustentada por clastos e matriz, sustentada por matriz ("clast-supported", "clast-matrix supported" e "matrix-supported"). Em todos os casos, revisam-se os possíveis mecanismos que levam à formação do material brechóide.

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2317-8078.v0i3p01-82

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