Minerais uraníferos de Perus, SP

William Gerson Rolim de Camargo

Resumo


Êste trabalho tem por finalidade principal o estudo dos minerais uraníferos secundários de Perus, SP, correlacionando-os pela gênese às rochas magmáticas da região. Os minerais uraníferos se encontram em fendas e fraturas dos pegmatitos e granitos turmaliníferos, formações derivadas do magma parental que deu origem ao granito Pirituba. Encontram-se, contudo, na região outras rochas, porém metamórficas: xistos eneaixantes, anfibolitos e rochas çálcio-silicatadas de metamorfismo de contacto. Para o estudo dos minerais uraníferos foram empregados vários métodos de investigação, pois constitui objetivo do trabalho, não só identificar as diversas espécies de minerais e associações, como fornecer novos dados físicos e químicos sobre os minerais uraníferos. Foram utilizados os seguintes métodos: microscopia óptica e difração de raios-X. como métodos principais, e fluorescência, determinação de radioatividade, espectrografía de raios infravermelhos, tratamento térmico métodos químicos, como métodos complementares. Foram descritos no presente trabalho os minerais uraníferos adiante citados: autunita, meta-autunita I, meta-autunita II, hidrogênio-autunita, fosfuranilita, mineral X, torbernita, metatorbernita I, meta-torbernita II, uranofânio, beta-uranofânio e opala uranífera, totalizando 12 espécies diferentes. Alguns desses minerais, a meta-autunita II e a meta-torbernita II, somente existem artificialmente, tendo sido produzidos por aquecimento, respectivamente da autunita e torbernita. Nem todos os minerais tiveram o mesmo tratamento, pela impossibilidade de se aplicarem todos os métodos descritos de investigação, devido à ocorrência em pequena escala, como a fosfuranilita, uranofânio e hidrogênio-autunita. O mineral X, assim denominado provisoriamente, é provavelmente uma nova espécie de mineral uranífero. As suas propriedades físicas foram investigadas de maneira mais completa possível. Entretanto, a quantidade exígua de material não permitiu análises químicas dignas de inteira confiança. E' provável contudo que esse mineral seja o fosfato hidratado de uranilo e magnésio, iso-estrutural da fosfuranilita. Além da pesquisa dos minerais uraníferos, foram estudados os minerais primários não uraníferos dos pegmatitos e granitos turmaliníefros, pela grande probabilidade da fonte de urânio estar presente nos constituintes destas rochas: albita, mieroelínio, turmalinas, lepidolita, quartzo e apatita. Desses minerais a apatita parece constituir a fonte de urânio mais provável. Este tipo de gênese tem sido veficado em outras regiões, onde o urânio substitui átomos de cálcio na estrutura cristalina da apatita. Desses minerais a apatita parece costituir a fonte de urânio mais provável. Este tipo de gênese tem sido verificado em outras regiões, onde o urânio substitui átomos de cálcio na estrutura cristalina da apatita. Em Perus, a análise de ativação, de grande sensibilidade, revelou a porcentagem de 56 ppm U na apatita, teor esse muito superior àqueles verificados nos demais minerais não uraníferos citados (~ 3 ppm). As águas carregadas de CO2 e O2 atacaram, oxidaram e dissolveram a apatita, formando soluções mineralizadoras ácidas, contendo os ions UO2++, Ca++ HCO3-, PO4+++, etc. ou complexos destes ions. Por neutralização destas soluções em contacto com calcários ou por interação com soluções alcalinas, precipitaram-se autunita e torbernita . A fosfuranilita se formou por alteração da autunita e o mineral X por precipitação de soluções carregadas de Mg++. O uranofânio e o beta-uranofânio resultariam da integração de soluções coloidais de sílica com os fluídos mineralizadores ácidos, cujos ions provocaram a floculação do coloide. Nessas condições, se explica o hábito coloforme e fibro-radiado desses minerais. A opala uranífera se formaria por processo semelhante pela floculação de soluções coloidais de silica em presença de eletrólitos.

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