Sedimentologia e Geologia das Camadas Perfuradas na Região da Foz do Rio Amazonas

Sérgio Estanislau do Amaral

Resumo


O presente trabalho baseia-se no estudo dos testemunhos de sondagens executadas pelo Conselho Nacional do Petróleo na região da foz do rio Amazonas, onde se localiza urna fossa de 60.000 km 2 com mais de 4.000 metros de profundidade. Essa fossa acha-se preenchida por sedimentos exclusivamente clásticos de idade terciária a recente. O autor realizou estudos sedimentológicos dos testemunhos de três sondagens. As principais finalidades foram apreciar a estrutura geral das camadas e as condições gerais de sedimentação, inclusive as condições tectónicas, reinantes durante a deposição desses sedimentos. Foram, pois, realizados os seguintes estudos: análise granulométrica, estudos dos minerais pesados e leves (qualitativos e quantitativos), tipo de estratificação, grau de arredondamento dos grãos segundo os seus tamanhos, e estudo da compactação dos sedimentos testemunhados. Perfuração de Limoeiro: — Os primeiros dois mil metros (a partir de cima) constituem-se sobretudo de elásticos finos; argilas e siltitos de cores avermelhadas e subordinadamente arenitos finos. Ocorrem alguns níveis com seixos centimétricos de quartzo: Os sedimentos, de um modo geral, apresentam estratificação horizontal. Caracterizam águas tranqüilas, num ambiente de lagoas rasas', em nível próximo ao do mar. Apenas uma das amostras é de origem certamente marinha, por ser glauconítica. Nos dois mil metros finais predominam arenitos médios, às vêzes grosseiros, sempre feldspáticos. Apresentam por vêzes estrutura diagonal. Raramente ocorrem siltitos escuros, de estrutura similar São também feldsjyáticos. Tais sedimentos são característicos de águas movimentadas. Formaram-se em ambiente deltáico, predominando, provavelmente, condições de “topset” A sondagem não atingiu o embasamento. Perfuração de Cururu: — Nos primeiros 1.500 m de cima para baixo predominam siltitos e arenitos finos muito incoerentes com estratificação horizontal pouco nítida. São sedimentos glauconíticos formados em ambiente marinho, provavelmente nerítico. Após os sedimentos marinhos, seguem-se mil metros de sedimentos dominantemente argilososi, mal estratificados, às vêzes ricos em restos vegetais. Devem ter-se formado em lagoas profundas e próximas ao m ar. De 2.500m para baixo, predominam arenitos medios e grosseiros, às vezes conglomerations. São mal estratificados, apresentando estrutura diagonal. Foram formados em ambiente deltaico, devendo ter predominado condições de “topset” Antes de ser atingido o embasamento foram perfurados 12 m de diabásio, a seguir mais 120 m de rochas sedimentares, para depois ser atingido o embasamento. Este é representado por uma variedade de granito, tonalito. Ocorrem subordinadamente dioritos. Perfuração de Badajos: — Nos primeiros 1.500 m predominam argilitos e siltitos avermelhados sem estratificação, e nos últimos 600 m predominam siltitos e arenitos com estratificação fina e irregular, O embasamento é representado por quartzo-diorito e quartzito escuro, altamente feldspático. Na formação dos sedimentos inferiores das perfurações estudadas imperaram condições tectónicas enérgicas, de rápida “subsidência” e rápida sedimentação. Foram depositados sob a forma de um grande delta. Os sedimentos superiores caracterizam um afundamento contínuo, porém, morerado. O ambiente de sedimentação devia ter sido o de lagoas em nível próximo ao do mar Eram rasas na região de Limoeiro e profundas na região de Cururu. O estudo do arredondamento dos minerais pesados e leves demonstrou que antigos sedimentos retrabalhados forneceram detritos formadores dos sedimentos estudados. Além destes, citam-se também rochas de origem vulcânica, rochas metamórficas de alto grau de metaformismo, rochas intrusivas graníticas e raramente rochas básicas. A existência de grãos de quartzo que apresentam primariamente faces cristalinas, muito freqüentes nos sedimentos inferiores das perfurações, sugerem uma derivação de rochas relacionadas a intenso vulcanismo ácido, podendo ter sido responsável, o vulcanismo andino terciário. Seus respectivos tufos seriam retrabalhados e os grãos de quartzo idiomorfos (fenocriütais) ajuntar-se-iam aos detritos, na formação dos referidos sedimentos. Baseando-se na idade desse vulcanismo ácido, o Autor datou os sedimentos em questão como terciários. A presença de diatomáceas encontradas entre as amostras mais profundas de Limoeiro levaria a estabelecer o limite máximo inferior no Jurássico superior. O efeito da pressão exercida pelos sedimentos superiormente colocados é evidenciado nos argilitos, siltitos e nos arenitos, por um aumento progressivo na densidade conforme a profundidade. Também a coerência dos sedimentos é alterada com a profundidade, sendo os mais profundos, os mais coerentes. Além das análises, qualitativa e quantitativa dos minerais pesados, vários outros fatores (inclusive os paleontológicos) contribuíram para que fosse estabelecida a correlação entre os poços de Limoeiro e de Cururu. De acordo com a correlação, as camadas inclinam-se para o norte de cerca de 3 a 4 m por km. E provável que se trate de uma inclinação original, dado o fato da direção do fornecimento dos detritos ser de sul para norte. A inclinação das camadas para norte e o aumento de sedimentos marinhos também para norte são fatores que indicam haver maior possibilidade da existência de petróleo mais ao norte da perfuração de Cururu

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2526-3862.bffcluspgeologia.1955.121732

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