Geologia e Petrologia da Ilha de São Sebastião (Estado de São Paulo)

Ruy Ozorio de Freitas

Resumo


A ilha de São Sebastião consta principalmente de rochas alcalinas que formam um maciço de 300 km2 aproximadamente, constituindo o terceiro em área no Brasil. Apresenta-se em um “stock” alongado segundo N E -S W encaixado em estruturas de gnais. As formações geológicas encontradas consistem em 1 — Granitos e Gnais (Arqueano), 2 — Eruptivas básicas (Rético). 3 —Eruptivas alcalinas (Jurássico) e 5 — Depósitos recentes (Holoceno) . O método de estudo empregado foi o petrográfico e a coluna geológica estabelecida em base de dados petrográficos, tectónicos e fisiográficos. O arqueano é determinado por definição dos seus tipos petrográficos ( 1 - gnais facoidal, 2 - oligoclásio-gnais, 3 - hornblenda-gnais, 4 biotita-gnais e 5 microlina-granito) idênticos aos ocorrentes no considerado arqueano do Brasil meridional. O triássico (rético) é conferido às rochas básicas (diábasios e basáltos) pela sua semelhança tectónica e petrográfica com as congêneres que cortam de maneira semelhante o arqueano no continente. A "miseenplace” das eruptivas alcalinas ( 1 Nordmarkito, 2 - Biotita-pulaskito, 3 - Pulaskito, 4 - Nefelina-sienito, 5 - Foiaito, 6 - Essexito-foiaito, 7 - Essexito e 8-Teralito) pode ser considerada jurássica devido suas relações com as eruptivas básicas referidas réticas, pois na praia do Bonete (foto 14) observa-se um dique de nordmarkito cortando outro de diabásio. As eruptivas quartzo-dioríticas ( quartzo-microdiorito e quartzo-andesito) cortam as alcalinas no cume do Zabumba, indicando sua idade mais moderna que estas. Alem deste fato preenchem linhas de fraturas tectónicas recentes, como as falhas ao longo do canal de São Sebastião, indicando que a topografia deveria ser a mesma que a atual para permitir tipos efusivos ao nivel presente do canal ou que pelo menos toda a zona de extrusão estivesse, como hoje está, em superfície. Os depósitos aluviais marinhos e continentais são considerados recentes, (holocênicos) pelo favor da topografia onde se dispõe, ocupando o fundo dos vales e os bordos do atual modelado costeiro, idade esta conferida em base fisiográfica. A tectónica que afetou a ilha de São Sebastião participa da que atuou em todo o litoral meridional brasileiro. Pode-se distinguir duas fases distintas; na primeira ocorreram as erupções básicas e as alcalinas subsidiárias e na segunda deram-se os falhamentos escalonados em blocos basculados para N W com as fraturas de tensão preenchidas pelas eruptivas quartzo-dioríticas. Toda a atividade tectónica foi regulada pela direção N E -S W previlegiada da estrutura do arqueano, correspondente a antigos eixos dos dobramentos laurencianos e huronianos. A geomorfologia da ilha consta de uma antiga superfície de erosão rematada até a senilidade, — o peneplano cretáceo, hoje reduzida às cristas culminantes do maciço alcalino e às satélites das estruturas gnáissicas, desnivelada pelo falhamento em blocos e ligeiramente ademada para N W devido ao basculamento. Ao lado desta topografia vestigial existe o modelado atual da ilha cafacterizado por uma juventude do estágio evolutivo. Esta escultura foi inaugurada com os últimos levantamentos epeirogênicos que ascenderam as eruptivas alcalinas plutônicas a mais de 1.300 m sobre o nivel do mar. O modelado costeiro apresenta uma costa típica de submergência com esculturas em rias, no estágio da juventude. A presença de terraceamentos marinhos de abrasão, atualmente elevados cêrca de 20 a 30 m, lembra as oscilações epeirogênicas ou eustaticas do litoral.

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.11606/ssn.2526-3862.bffcluspgeologia.1947.121770

Apontamentos

  • Não há apontamentos.