Estudo de Caso de Sistemas Convectivos de Mesoescala Intensos Ocorridos entre os Dias 02 e 03 de Janeiro de 2013 no Estado do Rio de Janeiro: Características Estruturais e Termodinâmicas

José Ricardo Siqueira, Valdo da Silva Marques

Resumo


Neste estudo são apresentadas e analisadas as características estruturais e termodinâmicas de Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCM) intensos que ocorreram sobre o Estado do Rio de Janeiro entre os dias 02 e 03/01/2013. Estes SCM tiveram como consequências grandes enchentes e deslizamentos de terra nas regiões metropolitana e serrana do Estado do Rio de Janeiro, com perdas materiais e econômicas de grande monta, dezenas de feridos, e duas perdas fatais. Foram utilizadas imagens brutas do canal 4 do Geostationary Operational Environmental Satellite, o método Forecasting and Tracking of Active Cloud Clusters, imagens do radar do Pico do Couto, dados meteorológicos de superfície e reanálises do National Center for Environmental Predictions. As análises de satélite mostraram que os SCM estudados foram estimulados por uma frente fria que passava pelo litoral sul fluminense no dia 02/01/2013. O SCM que atingiu as regiões metropolitana e serrana do Estado do Rio de Janeiro iniciou-se às 01:15 UTC do dia 03/01, adquiriu dinâmica própria e deslocou-se para leste a uma velocidade média de cerca de 11 m/s, percorrendo cerca de 150 km entre 01:15 UTC e 14:45 UTC do dia 03/01. Este sistema atingiu a região serrana do Estado do Rio de Janeiro com máxima intensidade na madrugada do dia 03 em Xerém, no município de Duque de Caxias. O SCM também apresentou cerca de 23200 km2 de área total (170 km de extensão) e 5600 km2 de área convectiva máxima, nuvens de topos frios (< 200 K), excentricidades acima de 0,7 (semicircular), refletividades de radar “fortes”, e 224,6 mm de precipitação acumulada em Xerém. Exceto pelo tamanho, suas características foram semelhantes às dos Complexos Convectivos de Mesoescala (CCM) descritos na literatura. As análises termodinâmicas mostraram forte convergência de umidade e muita instabilidade atmosférica no Rio de Janeiro, contribuindo para a formação desta tempestade severa. Também foram observados padrões de circulação similares aos dos eventos de CCM descritos na literatura, com Jato de Baixos Níveis no sudeste da América do Sul e Jato de Altos Níveis nos subtrópicos.

Palavras-chave


Sistema convectivo de mesoescala; GOES; Radar.

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DOI: http://dx.doi.org/10.11137/2016_2_57_76

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