O Megadesastre da Região Serrana do Rio de Janeiro: as causas do evento, os mecanismos dos movimentos de massa e a distribuição espacial dos investimentos de reconstrução no pós-desastre

Francisco Dourado, Thiago Coutinho Arraes, Mariana Fernandes e Silva

Resumo


Todos os anos, no estado do Rio de Janeiro, dezenas de pessoas morrem e milhares são afetadas em decorrência de desastres naturais relacionados a eventos climáticos extremos, em especial as inundações e movimentos de massa. Nos últimos anos (2010 e 2011) mais de mil pessoas morreram nos desastres em Angra dos Reis, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro e na Região Serrana do Rio de Janeiro. O Megadesastre da Região Serrana do estado do Rio de Janeiro ocorreu entre os dias 11 e 12 de Janeiro de 2011, atingindo sete cidades da região serrana, principalmente as cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, causando a morte de 947 pessoas. É considerado um dos maiores eventos de movimentos de massa generalizados do Brasil. O evento foi deflagrado por condições climáticas extremas de precipitação acumulada em 24 horas de 241,8 mm, com pico de 61,8 mm em uma hora, o que ajudou a perfazer a precipitação acumulada entre os dias 1º e 12 de Janeiro de 573,6 mm. Os principais tipos de movimentos de massa observados na área foram corridas de massa, detritos, terra ou de lama, os deslizamentos do tipo "Parroca", "tipo Rasteira", "tipo Vale Suspenso e os deslizamentos tipo "Catarina". Para a análise dos impactos na região, utilizaram-se os limites das bacias de 6ª ordem, que dividiram a região em quatro bacias: do Rio Piabanha, do Rio Preto, do Rio Grande e do Rio Macaé. Segundo dados da SEOBRAS, o estado investiu em recuperação da região após o desastre R$ 188.451.196,08 em 79 obras em seis municípios. O município que recebeu o maior número de intervenções foi Petrópolis (29) enquanto Nova Friburgo foi o município que mais recebeu recursos (R$ 91 milhões). Em termos de bacias, a bacia do Rio Preto foi a que recebeu o maior número de intervenções (31) e a que mais recebeu recursos foi a bacia do Rio Grande (R$ 101 milhões). Na relação habitante/recurso investido, a bacia do Rio Grande a que apresentou a maior relação (R$ 504,81 por habitante) e da mesma forma foi a que apresentou a maior relação investimento por km² (R$101,5/km²).

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DOI: http://dx.doi.org/10.11137/2012_2_43_54

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