PETROGRAFIA, DIAGÊNESE E CONSIDERAÇÕES SOBRE PROVENIÊNCIA DA FORMAÇÃO ITAPECURU NO NORTE DO MARANHÃO (CRETÁCEO INFERIOR, BACIA DO PARNAÍBA, NE BRASIL)

FRANCISCO JOSÉ CORRÊA-MARTINS, JULIO CEZAR MENDES, LUIZ CARLOS BERTOLINO, JOALICE DE OLIVEIRA MENDONÇA

Resumo


Estudos anteriores apontam que a Formação Itapecuru (Albiano Inferior a Médio) é a unidade litoestratigráfica com maior área aflorante da seção mesozoica da Bacia do Parnaíba, NE do Brasil. Este trabalho apresenta os resultados relativos à sua caracterização petrográfica, a partir de uma ampla coleta de amostras realizada em afloramentos da unidade no norte do Maranhão. A análise revelou que a formação é constituída principalmente por argilitos siltosos e siltitos argilosos. Litotipos psamíticos tais como wackes feldspáticas e arenitos, muito finos a finos, predominantemente quartzosos, subangulosos a subarredondados, ocorrem de maneira subordinada. A sedimentação ocorreu predominantemente por decantação e secundariamente por processos trativos. O exame dos difratogramas de rocha total na fração abaixo de 0,062 mm revelou a presença de quartzo, caulinita, esmectita e illita. Uma característica marcante encontrada é a ocorrência de fitoclastos em todas as seções delgadas. Esta gama de atributos permite afirmar que a Formação Itapecuru é produto do retrabalhamento de unidades litoestratigráficas sotopostas, cujos sedimentos foram reelaborados por um sistema fluvial de baixa energia, com planícies de inundação associadas. A deposição ocorreu sob um clima semi-árido quente com marcada sazonalidade, e com tendência ao aumento da umidade naquela porção setentrional da América do Sul em razão da abertura do Atlântico Equatorial. Do ponto de vista diagenético, o pacote sedimentar não ultrapassou os limites da eodiagênese. Este conjunto de informações permite concluir que pesquisas anteriores, realizadas na parte central e centro-leste da sinéclise, e que caracterizaram as rochas encontradas como essencialmente psamíticas, interpretadas como depositadas em ambiente parálico com influência marinha, e que foram submetidas à mesodiagênese, pertencem à sotoposta Formação Grajaú.


Palavras-chave


Formação Itapecuru; Petrografia; Cretáceo do Brasil.

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DOI: http://dx.doi.org/10.11137/2018_3_514_530

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