Depósitos de plataforma mista, Neocarbonífero da Bacia do Amazonas, região de Uruará, estado do Pará

Pedro Augusto Santos da Silva, Jhon Willy Lopes Afonso, Joelson Lima Soares, Afonso César Rodrigues Nogueira

Resumo


Rochas carbonáticas são amplamente registradas na região oeste e centro-oeste do Estado do Pará, borda Sul da Bacia do Amazonas, correspondentes ao período Neocarbonífero. Esses depósitos são incluídos na sequência pensilvaniana-permiana correspondente a uma super sequência de segunda ordem representada pelo Grupo Tapajós. A Formação Itaituba corresponde à porção transgressiva que precedeu a expressiva continentalização e formação de Pangeia. Essa unidade é constituída de carbonatos fossilíferos, arenito com estratificação cruzada e subordinadamente folhelhos e evaporitos de ambiente marinho costeiro. Dezenove fácies e microfácies foram agrupadas em cinco associações de fácies (AF) correspondentes a depósitos de planície de maré (AF1), canal de maré (AF2), laguna (AF3), barra bioclástica (AF4) e plataforma externa (AF5). A AF1 compreende ciclos de exposição subaérea com formação de gretas de contração e deposição subaquosa, composta de brecha dolomítica, dolomito fino laminado e dolomudstone com terrígenos separados por arenito maciço piritoso e dolomito fino silicificado. A AF2 consiste em arenito fino com laminação cruzada de base reta e recobrimento pelítico nos foresets, siltito argiloso com laminação cruzada, marga com laminação cruzada cavalgante e arenito grosso com estratificação cruzada com recobrimento pelítico nos foresets. Falhas sinsedimentares afetam os arenitos e siltitos. A AF3 é constituída de siltito maciço avermelhado, mudstone fossilífero, floatstone com braquiópode e folhelho negro piritoso maciço. A AF4 é representada por grainstone oolítico fossilífero e grainstone com terrígenos e fósseis de braquiópodes, equinodermas, bivalves, moluscos e subordinadamente artrópodes, briozoários e foraminíferos. A AF5 associa-se a uma plataforma composta de wackestone fossilífero, wackestone fossilífero com terrígenos e mudstone maciço. A assembleia fossilífera é representada por foraminíferos, braquiópodes, bivalves e, subordinadamente, briozoários e equinodermas, que atestam um ambiente costeiro de salinidade moderada e profundidade baixa com intensa proliferação de organismos bentônicos. O modelo deposicional da Formação Itaituba, na região de Uruará, foi atribuído a um sistema lagunar e de planície de maré conectado a um sistema de plataforma marinha carbonática. As lagunas eram bordejadas por planície de maré na porção mais continental e periodicamente supridas por aporte de terrígeno fino (silte) que inibia a precipitação carbonática. Barras bioclásticas cortadas por canais de maré (inlet) separavam a laguna da plataforma rasa com maior abundância de fósseis marinhos bentônicos, registrando o início de uma transgressão marinha neocarbonífera na Bacia do Amazonas advinda de NNW.

Palavras-chave


Formação Itaituba; Bacia do Amazonas; Análise de fácies; Paleoambiente, Neocarbonífero.

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9095.v15i2p79-98

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