Caracterização geoquímica e petrogenética dos Granitoides Arroio Divisa, região de Quitéria, Rio Grande do Sul

Eduardo Fontana, Lauro Valentim Stoll Nardi, Maria de Fátima Bitencourt, Daniel Barbosa Knijnik

Resumo


Os Granitoides Arroio Divisa (GAD), localizados na região de Quitéria, porção leste do Escudo Sul-rio-grandense, constituem um corpo alongado de direção NE-SW, com aproximadamente 30 km de extensão e 1 a 6 km de largura. Ao norte, são intrusivos em metatonalitos, metagranodioritos e gnaisses tonalíticos a dioríticos do Complexo Arroio dos Ratos, de idade paleoproterozoica, e ao sul são intrudidos por granitos e riolitos neoproterozoicos. Os GAD são predominantemente granodioritos e granitos foliados, de textura equigranular média a grossa, contendo anfibólio e biotita, além de titanita, zircão e apatita como minerais acessórios. Rochas dioríticas a tonalíticas ocorrem na forma de enclaves microgranulares, corpos de dimensões métricas, e diques sin-plutônicos, de contatos interdigitados e interlobados característicos de mistura heterogênea de magmas. Nas proximidades dos termos dioríticos observa-se um aumento no teor de máficos dos granitoides. É também comum a ocorrência de xenólitos centimétricos a decamétricos de gnaisses e metatonalitos do Complexo Arroio dos Ratos e hornblenda-biotita granodiorito correlacionado ao Granodiorito Cruzeiro do Sul. Nas proximidades das zonas de mistura e de xenólitos maiores, observa-se nos GAD o desenvolvimento de textura heterogranular a porfirítica em zonas de espessura métrica. A foliação magmática é marcada pela orientação dimensional de plagioclásio e biotita. Paralela à mesma é frequente a ocorrência de foliação milonítica de intensidade variável, com movimento transcorrente sinistral. Estas estruturas de direção E-W e mergulho acentuado, sofrem inflexão para NE-SW em sua porção leste, causada pela atuação de uma zona de cataclase regional que favoreceu o posicionamento das intrusões graníticas tardias. Quartzo-milonitos e filonitos estão presentes no interior dos GAD ao longo de zonas de mais alta deformação, às vezes com cerca de 100 m de espessura, geradas em condições de baixa temperatura. Os GAD e rochas máficas associadas possuem características geoquímicas semelhantes às das rochas de afinidade toleítica médio a alto-K, com contaminação por fusões de protolitos constituídos por gnaisses com granada. A integração das interpretações estratigráficas, tectônicas e geoquímicas indica que este magmatismo constitui manifestação precoce do magmatismo pós-colisional neoproterozoico do sul do Brasil.

Palavras-chave


Magmatismo pós-colisional;Associações toleíticas pós-colisionais;Granitoides pós-colisionais;Granitoides Arroio Divisa

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DOI: http://dx.doi.org/10.5327/Z1519-874X2012000300003

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