A discordância angular e erosiva entre os grupos Chapada Diamantina e Bambuí (Una) na folha Mirangaba-Bahia

Benjamim Bley de Brito Neves, Reginaldo Alves dos Santos, Ginaldo Ademar da Cruz Campanha

Resumo


As relações litoestratigráficas entre os grupos Chapada Diamantina e Bambuí/Una foram estabelecidas praticamente com os trabalhos de J. C. Branner, há cerca de um século. Em algumas oportunidades, esta litoestratigrafia foi questionada, mas, hoje se constata que isto aconteceu face a observações inadvertidas ou incompletas. Na Folha Mirangaba, no centro norte da Bahia, a discordância angular e erosiva entre os grupos acima mencionados está configurada de forma conspícua, em termos tridimensionais, merecedores do destaque aqui emprestado. Os quartzitos e metaconglomerados do Grupo Chapada Diamantina se expõem dobrados e redobrados (direção geral ENE-WSW) e foram intensamente erodidos, se expondo em duas paleossuperfícies de dissecamento, com feições complementares de recuos erosivos de escarpas, anfiteatros, supressão de algumas unidades litoestratigráficas, elaboração de morros testemunhos (ilhas quartzíticas), etc. O pediplano mais baixo e predominante (hoje cotas >; 500 m) e seus complementos foram inteiramente recobertos pelos calcários (Salitre), onde predominam calcilutitos e muitas edificações algálicas. Não se pode afirmar que a progradação dos calcários tenha chegado a acobertar o pediplano superior (cotas hoje ca. 1.000 m), mas há vários morros testemunhos de calcários, acima (>; 600 m) da superfície erosiva atual (Neogeno, Velhas), reiterando que houve intensa dissecação erosiva (cenozoica) dos calcários. Estes calcários se apresentam monotonamente sub-horizontais, com algumas ondulações locais, próximas às zonas de contato com os quartzitos subjacentes, e comumente com uma tectônica rúptil muito acentuada. A deformação polifásica do Grupo Chapada Diamantina ali representada, por razões do presente nível do conhecimento da geotectônica regional, está sendo atribuída ao Ciclo Brasiliano (como parte da zona de foreland do Sistema Riacho do Pontal). Mas por conta das observações feitas, tanto esta condição tectônica como o limite norte do Cráton do São Francisco precisam ser rediscutidos. O diamictito basal (Conglomerado Lages/Formação Bebedouro) do Grupo Bambuí só aflora ao sul e ao oeste da área. O intervalo de tempo entre a deformação dos quartzitos e o início da deposição dos (diamictitos e) calcários foi necessariamente longo, ordem de milhões de anos, tarefa a ser ainda investigada.

Palavras-chave


Chapada Diamantina;Grupo Bambuí;Relações litoestratigráficas;Condição tectônica;Limite norte do Cráton do São Francisco

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DOI: http://dx.doi.org/10.5327/Z1519-874X2012000200007

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