Petrologia, geoquímica e geocronologia dos granitos Presidente Kennedy e Barrolândia: contextualização na evolução do Cinturão Araguaia

Paulo Sergio de Sousa Gorayeb, Williams Pinto dos Santos, Candido Augusto Veloso Moura, Layse Holanda Sousa

Resumo


Diversos corpos graníticos têm sido identificados no extremo leste do Cinturão Araguaia em seu domínio de mais alto grau metamórfico (Grupo Estrondo). Tais granitos são interpretados como de posicionamento tardi-cinemático em relação à tectônica principal e ao metamorfismo regional na evolução do Cinturão Araguaia, no final do Neoproterozoico. Nesse contexto, o Granodiorito Presidente Kennedy (GPK) e o Granito Barrolândia (GB) são exemplos dessa granitogênese na porção central do Cinturão Araguaia. Eles constituem pequenos stocks, com forma alongada, encaixados em micaxistos e xistos feldspáticos do Grupo Estrondo, com quem demarcam contatos em concordância estrutural, sem efeitos metamórficos termais de contato. Esses corpos são constituídos por rochas hololeucocráticas de composição granodiorítica e monzogranítica, contendo duas micas (biotita e muscovita) e, eventualmente, granada. Em geral são rochas equigranulares de cor cinza, levemente rosada, com textura granular hipidiomórfica ou alotriomórfica. Entretanto, são comuns feições tectono-metamórficas impressas como textura granoblástica poligonal e foliação definida pela orientação preferencial de micas, quartzo e feldspatos alongados. Os minerais essenciais são oligoclásio, microclina, quartzo, biotita e muscovita. Como acessórios ocorrem zircão, apatita, minerais opacos e, mais raramente, granada. Dados litoquímicos indicam o caráter peraluminoso desses granitos, além de elevados valores de SiO2, Al2O3 e álcalis e baixos valores de MgO, Fe2O3t e TiO2. A presença de coríndon normativo confirma o caráter peraluminoso desses corpos e permite, juntamente com dados petrográficos e geoquímicos, caracterizá-los como granitos tipo S. A datação realizada pelo método de evaporação de Pb em monocristais de zircão no GPK forneceu o valor de 539 ± 5 Ma, interpretado como idade mínima de cristalização e alojamento crustal no final do Neoproterozoico (Ediacarano). Idades-modelo (TDM) Sm-Nd de 2,13 a 2,17 Ga, com valores negativos (-17,58; -24,31) de εNd(550Ma), foram determinadas para o GPK. Idades TDM de 2,24; 2,11 e 1,39 Ga, com valores negativos de εNd (-18,75; -18,38; -11,90) foram obtidas para o GB. Em princípio, esses dados Sm-Nd sugerem importante contribuição de fonte crustal, dominantemente do Paleoproterozoico, para esse evento magmático. Portanto, as rochas arqueanas que constituem o embasamento do segmento setentrional do Cinturão Araguaia não poderiam ser a única fonte de formação desses granitos. A hipótese mais provável seria a mistura de fontes envolvendo tanto a fusão de rochas metassedimentares do Grupo Estrondo como do embasamento arqueano. A agregação dos líquidos graníticos anatéticos, a ascensão e o alojamento em corpos com volumes relativamente pequenos, pelo menos no nível crustal de exposição desse orógeno, se deram sincronicamente à tectônica principal do Cinturão Araguaia, no final do Neoproterozoico. As semelhanças geológica, geoquímica, petrográfica e geocronológica do GPK e GB com os granitos Ramal do Lontra e Santa Luzia, posicionados nos extremos norte e sul, respectivamente, do Cinturão Araguaia, indicam que essa granitogênese ocorreu em escala regional. Ademais, permitem relacionar esse magmatismo ao estágio principal da tectônica colisional e metamorfismo na evolução do Orógeno Araguaia, no final do Ciclo Brasiliano.


Palavras-chave


Granodiorito Presidente Kennedy; Granito Barrolândia; Cinturão Araguaia; Neoproterozoico; Idade Pb-Pb em zircão; Sm-Nd idade modelo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9095.v19-137160

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