Tafonomia de biválvios em calcários oolíticos da formação Teresina (Bacia do Paraná, Permiano Médio, Prudentópolis, PR)

Jacqueline Peixoto Neves, Rosemarie Rohn, Marcello Guimarães Simões

Resumo


No presente artigo é apresentado o primeiro estudo tafonômico detalhado de biválvios preservados em calcários oolíticos da Formação Teresina (provavelmente Kunguriano-Roadiano, Permiano Inferior-Médio), na borda leste da Bacia do Paraná. Foram selecionadas duas camadas, informalmente denominadas PRU 1 e PRU 2, em pedreiras do município de Prudentópolis, centro-sul do Estado do Paraná, posicionada aproximadamente no meio da formação, provavelmente na Zona Pinzonella illusa. O calcário de PRU 1 (~30 cm de espessura) é um grainstone oolítico a biválvios, parcialmente silicificado, intercalado em rochas predominantemente pelíticas. Possui contato basal erosivo e topo com ondulações simétricas. É recoberto por drapes de folhelho com gretas de contração. Internamente, a camada carbonática apresenta duas sucessões granodecrescentes caracterizadas por empacotamento denso a disperso das conchas. Apresenta quantidade variável de intraclastos pelíticos e conchas de biválvios caoticamente arranjadas (muitas aninhadas ou empilhadas), com gradação vertical descontínua. Um pouco abaixo do topo são reconhecíveis estratificações do tipo microhummocky. A camada carbonática em PRU 2 (~5 cm de espessura) é um rudstone a biválvios e ooides. As conchas de biválvios encontram-se desarticuladas, algumas fragmentadas e densamente empacotadas. Os biválvios provavelmente viviam em substrato lamoso e foram misturados (como bioclastos alóctonos) com ooides em eventos de alta energia, relacionados a tempestades, incluindo remobilizações posteriores por bioturbação. As camadas carbonáticas de PRU 1 e PRU 2 representam, portanto, tempestitos proximais amalgamados com história tafonômica complexa, forte mistura temporal/espacial de bioclastos e limitada resolução paleoecológica. São exemplos típicos de concentrações fósseis geradas em mar epêirico, não necessariamente conectado ao oceano, onde o baixíssimo gradiente do mergulho deposicional, a subsidência muito lenta e o pequeno espaço de acomodação de sedimentos condicionavam frequentes retrabalhamentos dos sedimentos por processos relacionados a tempestades.

Palavras-chave


Tafonomia;Permiano;Formação Teresina;Carbonato (Calcário);Bacia do Paraná

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DOI: http://dx.doi.org/10.5327/Z1519-874X2010000300002

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