Geologia e caracterização química do magmatismo peralcalino ultrapotássico do enxame de diques Manaíra-Princesa Isabel, Província Borborema

Maria Helena Bezerra Maia de Hollanda, Carolina Pelaéz Mejía, Carlos José Archanjo, Richard Armstrong

Resumo


O enxame de diques ácidos da região de Manaíra-Princesa Isabel aflora no estado da Paraíba, geologicamente inserido no domínio Alto Pajeú da Zona Transversal (Província Borborema, NE do Brasil). O enxame compreende principalmente nefelina sienitos a sienitos saturados em sílica, com afinidade peralcalina ultrapotássica e, subordinadamente, álcali-granitos com afinidade metaluminosa. A assembleia mineral é dominada por microclina e anfibólio ± piroxênios sódicos nos termos sieníticos, enquanto mg-biotita está restrita aos álcali-granitos. Anfibólio é dominantemente de composição magnésio-riebeckita, identificado nos subenxames de Manaíra, Princesa Isabel e Tavares; enquanto o piroxênio é egirina-augita (subenxames Manaíra e Tavares), passando a composições de egirina nas bordas, quando zonados. A assinatura geoquímica-isotópica mostra forte enriquecimento em elementos incompatíveis, associado à marcante depleção em Nb, a razões 87Sr/86Sr radiogênicas e εNd negativos. Essas feições sugerem manto litosférico enriquecido como fonte comum para os diques, provavelmente modificado por um componente de subducção antigo, como indicado pelas idades T DM paleoproterozoicas. Razões isotópicas de Pb mostram claro desacoplamento com respeito às razões isotópicas de Sr e Nd, com valores significativamente mais baixos que a média dos valores crustais, sugerindo a participação de um componente não radiogênico interagindo com a fonte mantélica, enriquecida. A ocorrência de magmatismo fissural, intraplaca, com provável idade U-Pb em zircão de c. 600 Ma, define contextos geodinâmicos contrastantes. Esse contraste refere-se à contemporaneidade entre um cenário de relativa quiescência tectônica (a colocação dos diques em crosta fria) se contrapondo com a intensa atividade tectonomagmática, correlacionada à orogênese Brasiliana, desenvolvendo-se em blocos crustais lateralmente contíguos na porção central da Zona Transversal.

Palavras-chave


Província Borborema;Zona transversal;Magmatismo peralcalino ultrapotássico;Manto litosférico enriquecido

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DOI: http://dx.doi.org/10.5327/z1519-874x2009000300002

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