A grande elevação eustática do mioceno e sua influência na origem do grupo barreiras

Mitsuru Arai

Resumo


O Grupo Barreiras é uma unidade que ocorre ao longo da faixa costeira do Brasil, desde o Estado do Amapá até o Rio de Janeiro, caracterizando-se pela ocorrência quase contínua e pela regularidade geomorfológica. Sua origem tem sido motivo de muitas discussões. Tradicionalmente, a unidade vinha sendo considerada como de origem continental, mas trabalhos recentes vêm mostrando evidências irrefutáveis de influência marinha, tanto de natureza paleontológica, como sedimentológica. A datação palinológica e sua correlação com as unidades litoestratigráficas coevas das partes submersas das bacias da margem continental brasileira e das outras partes do planeta permitiram um estudo integrado sob a luz da Estratigrafia de Seqüências. Essa análise estratigráfica integrada permitiu relacionar a origem do Grupo Barreiras com a elevação eustática global que teve seu máximo na parte média do Mioceno, mais precisamente no intervalo do Burdigaliano ao Serravaliano (12 - 20 Ma). A sedimentação do Barreiras lato sensu sofreu uma interrupção no Tortoniano (início do Neomioceno), quando houve um rebaixamento eustático global que ocasionou um extenso evento erosivo nas áreas emersas e a formação de cunhas fortemente progradantes na porção submersa das bacias submersas (offshore). Com a retomada da subida eustática no Plioceno (Zancleano, 4 - 5 Ma), depositou-se o segundo ciclo (Barreiras Superior). A erosão e o retrabalhamento do Grupo Barreiras no Quaternário devem ter sido responsáveis, em parte, pela atual configuração da plataforma continental.

Palavras-chave


Grupo Barreiras;Mioceno;Plioceno;Brasil

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DOI: http://dx.doi.org/10.5327/S1519-874X2006000300002

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