INDICAÇÕES DE DEFORMAÇÕES NEOTECTÔNICAS NA BACIA DO RIO PARDO-SP ATRAVÉS DE ANÁLISES DE PARÂMETROS FLUVIOMORFOMÉTRICOS E DE IMAGENS SRTM

Ivan Claudio GUEDES, Norberto MORALES, Mario Lincoln De Carlos ETCHEBEHERE, Antônio Roberto SAAD

Resumo


Este trabalho tem como objetivo delinear eventuais deformações neotectônicas na bacia hidrográfica do Rio Pardo -
BHRP, com base em anomalias fluviomorfométricas e em análise de imagens SRTM. A BHRP está inserida no contexto do Planalto
Ocidental Paulista, assentando-se sobre basaltos da Formação Serra Geral (~132 Ma) e rochas sedimentares do Grupo Bauru
(Cretáceo Superior), com recobrimentos localizados de sedimentos cenozóicos, que incluem aluviões e terraços aluviais quaternários,
mantos coluvionares e coberturas arenosas incoesas de idades e derivações incertas. Nas análises fluviomorfométricas empreendidas
neste trabalho, utilizaram-se os estudos dos perfis longitudinais dos cursos d’água, os índices RDE (Relação Declividade vs.
Extensão) e alinhamentos de nickpoints, associados a lineamentos de drenagem e de relevo e de características texturais, extraídos de
análise de imagens radargráficas. A BHRP é alongada e sua parte mais larga (mais próxima ao alto vale) mostra-se claramente
controlada pela direção WNW, com muitos lineamentos se destacando. Esta direção propicia a subdivisão da bacia em blocos
estruturais maiores e deve representar reativações do Lineamento Guapiara. O limite com a bacia do Rio Turvo mostra-se controlado
por um feixe expressivo de lineamentos ENE. Esta direção não é notada no restante da bacia e pode significar um importante limite
estrutural, compondo um padrão romboédrico na parte mais larga do vale. As anomalias fluviomorfométricas (em especial, aquelas
que refletem os trechos em ascensão) se concentram no flanco sul da bacia, que é mais estreito. Esta região aparenta estar sendo
soerguida, em contraponto ao outro lado, onde estão os regolitos mais espessos e os aluviões mais expressivos, indicando condições
subsidentes, que favorecem a acumulação dos produtos da erosão do flanco sul. A BHRP aparenta ter sido ampliada por processo de
captura, incorporando a maior parte da porção mais larga da bacia atual. Nesse processo, houve rebaixamento do nível de base, com
incisão dos talvegues e formação de terraços no baixo vale, o que se acha refletido na fragmentação dos interflúvios, como se
depreende da distribuição espacial dos regolitos mais espessos. A conjunção de lineamentos separando zonas com diferentes graus de
dissecação, concentrações de anomalias fluviomorfométricas, alinhamento de nickpoints e disposição das áreas com regolitos mais
bem preservados corrobora um modelo morfotectônico de caráter rúptil, delineado por blocos estruturais com deslocamentos
verticais diferenciados.

Palavras-chave


Rio Pardo; Morfometria fluvial; Neotectônica; Geomorfologia fluvial.

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