CONSIDERAÇÕES GEOLÓGICAS SOBRE A REGIÃO DE ITAPEVA, S.P.

SETEMBRINO PETRI, VICENTE JOSÉ FULFARO

Resumo


Estudos geológicos da área entre Itapeva e Campina do Veado demonstraram que a maior parte dos sedimentos, considerados previamente como devonianos, pertencem, na realidade, ao Grupo Tubarão, de idade permo-carbonífera. O devoniano só aparece a cerca de 5 Km a SW de Itapeva, no canhão do rio Taquari. O arenito que aflora nas partes mais baixas de Itapeva, impressionantemente semelhante ao Arenito Furnas, devoniano, não passa de uma grande lente de cerca de 3 Km de comprimento, alongado segundo a direção NE-SW e possuindo espessura máxima aflorante de 46 m e adelgaçando-se em ambas as extremidades, onde entra em contato com o embasamento cristalino. Ocupa uma grande calha erosiva sendo recoberto, em concordância, por sedimentos síltico-arenosos do Grupo Tubarão. A região de Campina do Veado é outra área ocupada por arenitos considerados previamente como do devoniano. As seguintes considerações nos levaram a inclui-los também no Grupo Tubarão: a) Na estrada de Campina do Veado a Taquari, a cerca de 3 Km ao sul da primeira localidade, quase na base da escarpa arenítica, aflora um conglomerado com blocos grandes de tamanho variado, alguns alcançando 34 cm de diâmetro, de vários tipos litológicos. Os seixos estão dispostos caoticamente em matriz arenosa. Tal tipo de conglomerado é idêntico aos que ocorrem no Grupo Tubarão mas completamente diferentes dos de Furnas, de pequena expressão e constituídos quase exclusivamente de seixos de quartzo e quartzito. b) Logo a saída de Campina do Veado para Taquari, em uma pedreira aberta para exploração de filito decomposto, para cerâmica, pode-se observar o contato do mencionado arenito com o embasamento, ocupando uma calha; o filito do embasamento foi, em alguns pontos, parcialmente removido e depositado após curto transporte, formando uma brecha no contato. Calhas cavadas no embasamento e preenchidas por sedimentos são comuns no inicio do ciclo de deposição dos sedimentos do Grupo Tubarão sendo desconhecidos no inicio de deposição do arenito da Formação Furnas, que se assenta em um antigo peneplano. No canhão de um afluente do rio Pirituba, afloram conglomerados metamórficos que lembram tilitos, em visível discordância angular sob os arenitos devonianos. A região é intensamente falhada, havendo evidencias de falhamentos pós-devonianos mas anteriores a sedimentação das rochas do Grupo Tubarão.

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