MINERAIS DE ARGILA DO ARENITO BAURU (CRETÁCEO) DO ESTADO DE SÃO PAULO

J. E. DE PAIVA NETO, ALCYR C. NASCIMENTO

Resumo


Neste trabalho são apresentados os resultados das pesquisas levadas a efeito com o fim de identificar os minerais de argila presentes no Arenito Bauru (Cretáceo) do Estado de São Paulo, rocha responsável pelos solos do tipo Bauru. Investigações roentgenográficas conduzidas, anteriormente, por um dos autores do presente trabalho, revelaram a presença de montmorilonita na fração argila desses solos, que cobrem cerca de ¼ da área do Estado de São Paulo ou sejam 25,1% de sua área, e onde estão 70% da cultura cafeeira e 80% da cultura algodoeira. Foram estudadas duas amostras de Arenito Bauru, colhidas a 3 m de profundidade de Marília. Após a desagregação mecânica do material, por agitação com água as frações mais finas (limo e argila) foram separadas por suspensões e sedimentações sucessivas, sendo usados 20 litros de água, para um quilo de material. A separação granulométrica das frações maiores do que 0,02 mm foi feita por tamizagem. Foram obtidas quatro frações: (1) areia grossa: (2) areia fina: (3) limo e (4) argila, sendo a fração areia fina subdividida em quatro frações. As duas amostras estudadas e suas frações foram submetidas à análise química (total e racionais), à análise térmica diferencial e à microscópia eletrônica. Foram feitas também determinações de pH, capacidade de troca de cátions e massa específica real. O Material argiloso estudado neste trabalho ficou, em grande parte, identificado, observando-se principalmente, as propriedades que suas partículas e suas suspensões em água destilada apresentavam. As suspensões eram típicas de material agulhiforme superfino. Películas com a forma de um disco de 0.03 mm de espessura e 170 mm de diâmetro obtidas com esse material eram muito resistentes e flexíveis. Essas películas se destacam de uma superfície lisa com relativa facilidade, devendo portanto serem constituídas de um componente essencialmente fibrilar ou agulhiforme e de um outro de propriedades coloidais muito intensas ou seja uma pequena parte de montmorilonita. A porção montmorilonita devia ser pequena, porque se assim não fosse as películas não se destacariam com facilidade e a porção filiforme ou agulhiforme, devia ser grande, pois do contrário não teriam a resistência apresentada. Os resultados das análises químicas e da análise térmica diferencial, contribuíram em favor da suposição de que o material argiloso devia ser um material, cujos caracteres morfológicos seriam de fibras ou agulhas e de uma pequena porcentagem de material com propriedades coloidais mais intensas, isto é, devia se tratar de uma mistura de atapulgita e montmorilonita. As micrografias eletrônicas obtidas confirmaram plenamente essa previsão. São apresentadas ainda neste trabalho, algumas considerações sobre a gênese da atapulgita.


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