DIVISÃO DA FORMAÇÃO "PALERMO" NO SUL DE SANTA CATARINA E TENTATIVA DE INTERPRETAÇÃO GENÉTICA

HANNFRIT PUTZER

Resumo


Copioso material de observações constituído por testemunhos de novas sondagens no campo gonduânico, permitem a divisão da Formação Palermo, que foi desleixada até agora pelos geólogos, O Palermo é a mais nova formação da Série Tubarão (no sentido de WHITE 1908) do "Sistema de Santa Catarina". O limite superior é o folhelho preto, betuminoso, com seu conglomerato basal, da formação Irati, Permiano Inferior, e o limite inferior é a superfície do Arenito Barro Branco Superior, do Grupo Bonito, Carbonífero Superior, Série Tubarão. A espessura total do Palermo e bem regular numa grande área estudada, montando de 90-106 m. Tentamos a divisão desta formação por meios litológicos, por motivo da falta completa de fósseis. O Palermo Inferior é caracterizado por folhelhos micáceos, cinzentos-azulados escuros, enquanto o Palermo Superior o é por siltitos arenosos, de cor verde-oliva até cinzento-esverdeados. Bancos de arenitos são intercalados dentro destas camadas argilosas-siltíticas, em distâncias mais ou menos regulares. Os arenitos permitem uma subdivisão da formação. A sedimentação do Palermo é quase somente detrítica, apenas na parte inferior do Palermo Superior ocorrem lentes e delgados leitos de marga e calcareos, sendo silificados secundariamente. O teor em carbonatos aumenta em direção ao fundo da bacia da formação. Além disso, observamos lages singenéticas de gipsita fibrosa nos folhelhos mais inferiores da formação. A formação Palermo sobrepõe o Grupo Bonito sem discordância. O estudo do embasamento mostra que o Arenito Barro Branco Superior aumenta consideravelmente para ambos as lados da região central da bacia carbonífera da camada Barra Branco (para W até 17,4 m e para E ate 12 m) enquanto é reduzido na zona de espessura máxima da camada Barro Branco. Na zona do fundo da bacia constatamos uma bipartição do Arenito Barro Branco por uma camada de folhelhos carbonosos, zona esta onde se observa sólos fósseis de raízes, sendo pela primeira vez observados no Gonduana Sulamericano. (Fig, 1). Ocasionalmente o arenito falta. (Furo N 9 e N 32, Siderópolis). A parte mais inferior do Palermo é uma alternância muito tipica, constituída por folhelhos micáceos escuros, com delgadas laminas lenticulares de arenito claro, de estratificação diagonal ("Alternância A I) tendo espessuras de 5 a 12 m, no centro da bacia, aumentando até 31 m para W (Fig. 2). O primeiro nível de arenito é representado por um arenito verde vivo, de estratificação intercruzada acentuada, ou sem estratificação. (Fig. 3). Observa-se, na superfície deste Arenito P 1, muitas vezes sinais de uma emersão. O arenito contem fragmentos angulosos de arenitos e folhelhos. A capa da zona de emersão mostra um sedimento bem revolvido por vermes. Seguem-se, por cima, folhelhos escuros, em parte na forma da "alternância", com lentes de arenito claro (Alternância A II), de espessura ate 17 m . O arenito mais novo P 2 é, no Sul, um arenito feldspatifero branco, de grão grosso até medio, de textura maciça, e, para N, um arenito fino cinzento. As espessuras são muito variáveis, de alguns centímetros ate 8 m, aumentando para W. (Fig. 4). O Palermo Superior começa com siltitos esverdeados contendo lentes de marga e calcário impuro, e, em alguns lugares, siltitos marrons-roxos com manchas verde claro, lembrando o fácies Keuper germânico. As camadas sempre arenosas do Palermo Superior medem de 60-75 m e contém os bancos de arenito P 3, P 4 e P 5. O arenito P 3, de grão muito fino, siltítico, verde sujo até cor verde-oliva, é sempre intercruzado e de estratificação diagonal. Os bancos de arenito do Palermo Superior são muitas vezes bipartidos. O material dos arenitos P 4 e P 5 e idêntico, somente 0 P 5 é as vezes um arenito claro, duro e maciço. A gênese do embasamento do Palermo (Arenito Barro Branco Superior) foi com certeza continental; a "alternância" tipica e interpretada como resultado da estratificação de marés (Gezeiten-Schichtung, "Watt"), devido uma separação perfeita de grãos por marés num mar muito razo. Doutro lado, consideramos a separação muito imperfeita dos siltitos arenosos esverdeados do Palermo Superior como resultado de estratificação num mar mais quente e possivelmente um pouco mais profundo. Os 5 bancos de arenito são leito-guias; interpretamos sua estratificação diagonal e intercruzada por motivos epirogênicos ("estratificação tectônica; endógena"). Paradas dos processos de subsidência, alcançando mesmo uma emersão (reconstrução no arenito P 1, teor em feldspatos no arenito P 2), resultando na formação dos arenitos. O material qualitativo dos arenitos esverdeados é uma mistura do tipo grauwacke, contendo quartzo, feldspatos, biotita decomposta, muscovita, zirconita, granada, apatita, turmalina, calcita, sericita e clorita. É possível tratar-se de material reconstruído de uma antiga morena. Ainda faltam provas faunísticas para uma gênese marinha do Palermo; encontramos, nos testemunhos do furo S. B. 1, ao W de Criciuma, alguns dentes de saurio e um bonebed (leito de ossos), do mesmo nível estratigráfico como o dos dentes, no furo Rio Sangão Nº II. Mandamos o importante achado ao famoso especialista de repteis, Prof. F. von HUENE, o qual considera-os como prováveis dentes de um saúrio do Carbonífero Superior, Loxomma, representante primitivo do grupo "Stegocephali". Com este resultado surpreendente, aceitamos uma idade Carbonífera Superior também para as camadas de carvão sotopostas pelo Palermo, resolvendo a questão litigiosa da idade permo-carbonífera ou carbonífera do carvão. Supomos regiões perto da costa, pertencentes a um mar epicontinental (baías) como área da formação das camadas do Palermo, onde depositou-se uma sedimentação ritmica detrítica, com predominância de substâncias argilosas e formação dos arenitos na interrupção da sedimentação do siltito. As condições de formação refletem a luta entre a Terra e o Mar anterior ao domínio do Permiano. Trata-se quase da introdução da transgressão permiana. Os mapas mostram as regiões de formação, os perfis e subdivisão litológica.

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